
Há quem lhes chame "prata da casa", prefiro "tesouros escondidos", jogadores que depois de beberem os valores dos clubes não precisam de tempo de adaptação, ao contrato das contratações milionárias.
O que poderão ter em comum Zé Pedro, do FC Porto, Roger, do Braga, e António Silva, do Benfica? São todos profissionais de futebol, é óbvio, mas há conteúdo mais relevante para dissecar. À sua maneira, os três tiveram contributo decisivo nas vitórias dos respetivos clubes no passado fim de semana.
O portista emergiu como reforço deste verão que não acaba, resolvendo uma carência importante na defesa dos dragões, provocada por lesões e cartões vermelhos em série; o menino braguista contribuiu com duas assistências de mestre para a reviravolta dos guerreiros; o benfiquista fez aquilo que os atacantes não conseguiram, ao marcar o golo que deu três pontos ao campeão.
Provavelmente, apenas eles acreditavam ser possível, quase num abrir e fechar de olhos, assumirem tamanha fatia de protagonismo. António Silva, jovem lançado por Schmidt na época passada, continua a surpreender pela capacidade de resposta em quadro de exigência máxima, Zé Pedro e Roger superaram, provavelmente, as expectativas de todos. Mas não foi por acaso que os astros os alinharam nesta jornada.
Os percursos dos três, sendo muito diferentes - Roger não tem sequer idade para tirar a carta de condução, António Silva estreou-se na primeira equipa ainda júnior e Zé Pedro foi à lançado às feras da Liga aos 26 anos - têm em comum o facto de chegarem ao topo no clube depois de assimilarem, nas equipas de formação ou "B", os valores dos respetivos emblemas, o que lhes permite, conjugado com talento inato e personalidade, superar, sem traumas, a concorrência de jogadores que acabaram de chegar e custaram milhões.

