DENTE DE LEÃO - Uma opinião de Marcos Cruz
Quem já vê futebol há muitos anos sabe que o talento é apenas parte do sucesso dum jogador. Preferia não voltar a bater nesta tecla, coitado do rapaz, mas Fábio Paim é, de facto, a expressão máxima dessa evidência, pela magia que tinha. Ainda assim, dominantes são os exemplos de antecipados craques que vingaram no planeta da bola.
O talento indicia e não raras vezes prova. Hoje, então, com a realidade das academias a aproximar-se cada vez mais da dos adultos, em termos de treino, de exigência e de visibilidade, tudo leva a crer que a passagem para o patamar desejado pelos jovens futebolistas não seja já como um parto, um abrir dos olhos à ofuscante luz do espetáculo. Com isso em mente, acompanho as fornadas mais adiantadas da cantera leonina sem grande expectativa. Não me parece que dali venha nada de sebastiânico. E julgo que as performances nos respetivos campeonatos refletem isso mesmo. Já dos sub-17 para baixo a coisa muda de figura.
Assim de repente, e juro que sem consultar qualquer cábula, enuncio um manancial de nomes suculentos: Guilherme Santos, Rodrigo Ribeiro, Youssef Chermiti, Vivaldo Semedo, João Muniz, Manuel Mendonça, Leonardo Barroso, Afonso Moreira, Eduardo Felicíssimo, Rafael Camacho (outro, não o que veio do Liverpool), Gabriel Silva, Winilson Lopes, Atanásio Cunha, João Simões... Não vou, claro, encher a crónica com isto, mas se calhar até conseguia. Acredito que esse futuro a médio prazo seja o argumento guardado de Varandas contra quem diz que, tirando Matheus Nunes, todos os jovens que se afirmaram na primeira equipa desde que ele assumiu a presidência foram contratados por Bruno de Carvalho.
Ao ver como jogam aqueles putos fico a salivar, com vontade de dopar os ponteiros do relógio. Mas é uma ansiedade boa, montada na ideia de um sustentado resgate: o do estatuto de melhor academia do País. Com um treinador como Rúben Amorim, se o seu projeto a verde for de longo prazo, vejo Alvalade ao fundo do túnel e dou azo a um dos maiores prazeres da vida: o exagero. Volto a ser o miúdo que se deita na cama, de barriga para cima, a imaginar o seu clube no topo do mundo.
