As dores de reconstrução notam-se a quilómetros: Santos procura uma Seleção e ainda não a encontrou, mas João Mário e Quaresma deram-lhe ideias
O duelo de Paris confirmou suspeitas que fumegavam em redor da Seleção Nacional. Com Fernando Santos, o conceito de "renovação" subjuga feridas antigas e bilhetes de identidade, tanto na convocatória como no onze titular, devendo o processo ser lido como um recomeço. Do desastre com a Albânia - que guilhotinou de vez a cabeça de Paulo Bento - no arranque da qualificação para o Euro"2016, Santos mudou meia equipa quase exclusivamente por ter uma perceção técnico-tática diferente da do antecessor, tal como alterou a filosofia da linha de ataque, desprovida de um número 9 clássico. Porém, após um par de chutos de Danny para a bancada ou na atmosfera, recuperou a fórmula tradicional a meio do segundo tempo e lançou Éder. E logo sofreu o 2-0. Ou seja, arranjada de uma maneira ou de outra, e mesmo com jogadores como Rui Patrício ou Pepe empenhados em darem tudo para limpar a má imagem com que saíram do Mundial, a equipa das Quinas foi penalizada pelo desconjuntamento, destapou-se e tombou novamente para a valeta num confronto com a França. A bem dizer, aconteceu o que é normal quando se parte do zero. As dores de reconstrução notam-se a quilómetros: o engenheiro procura uma Seleção e ainda não a encontrou, mas, com algum simbolismo à mistura, o jovem João Mário, estreado nos últimos minutos, e o regressado Quaresma deram-lhe luzes.
