Portistas ultrapassaram mais um obstáculo, porventura dos mais difíceis. Visita do Sporting, daqui a três semanas, pode decidir o título.
Longe de o campeonato estar a ser um passeio para o FC Porto, o padrão de resultados na prova remete para a precisão constante de um relógio suíço, ultrapassando os obstáculos com maior ou menor dificuldade, com um espírito competitivo altamente influente no rendimento da equipa, que compensa quando a arte de jogar não está tão afinada. Foi assim mais uma vez em Guimarães, perante um adversário moralizado pela conquista da Taça da Liga e que colocou sérios problemas à equipa de Francesco Farioli, num ambiente adverso, fazendo jus à máxima que no D. Afonso Henriques nenhum grande joga de forma confortável. E ainda bem, fazendo falta ao futebol português mais clubes como o Vitória.
O líder do campeonato levou uns valentes apertões, teve de lidar com o azar de Samu falhar a marcação de uma grande penalidade num jogo em que não dispôs de muitas oportunidades para alvejar a baliza, socorreu-se de Diogo Costa um par de vezes, uma situação pouco vista esta época, e chegou ao triunfo com um contributo importante do reforço Oskar Pietuszewski, que em poucos minutos em campo ganhou o penálti salvador e ainda provocou a expulsão de um jogador adversário. A estrelinha de campeão vê-se nestes jogos, num percurso com outros exemplos esta temporada. Vencedor de todos os dez jogos disputados fora de casa no campeonato, em cinco registaram-se triunfos dos dragões pela diferença mínima (três por 0-1 e dois por 1-2), o que reflete, em doses iguais, capacidade de aproveitamento e sofrimento, mas também uma acumulação de energia e de confiança de jogo para jogo, que se deteta no relvado e nos adeptos.
E se o Sporting, a lidar com falta de recursos humanos devido a uma onda de lesões, voltou a acertar o passo das vitórias, mantendo-se na perseguição ao líder e mostrando até um extraordinário apetite pelas balizas adversárias, o ponto alto do campeonato já começa a ser vislumbrado numa altura em que sete pontos separam os dois primeiros. Restam duas jornadas até sportinguistas e portistas medirem forças no Dragão, um duelo que pode ser épico. Se a diferença pontual se mantiver até lá, um triunfo do FC Porto não deixará muitas dúvidas quanto ao próximo campeão, um empate manterá a equipa de Francesco Farioli como favorita e uma vitória do Sporting abrirá novos horizontes sobre a discussão do título, para lá de poder aproximar igualmente o Benfica do primeiro lugar. Já não falta muito tempo para se perceber se para a atribuição do primeiro lugar haverá uma segunda volta.

