O onze da época de 2018/19, votado por mais de 23 mil jogadores filiados na FIFpro, só prova o quanto os futebolista podem perceber tão pouco de futebol
Diz o ditado popular que o ridículo mata. Felizmente, digo eu, não é verdade, caso contrário muitos futebolistas estariam a esta hora sete palmos debaixo de terra. Isto avaliando a eleição do onze mundial da época de 2018/19.
Verdadeiramente alarve, perdoem-me a expressão, é a presença de três jogadores do Real Madrid que, assim, acaba por ser o clube mais representado
A equipa hoje anunciada na Gala The Best da FIFA, em Milão, foi votada por mais de 23 mil jogadores filiados no sindicado FIFpro e a sua composição final - Alisson; Sergio Ramos, De Ligt, Van Dijk e Marcelo; F. de Jong, Modric e Hazard; Mbappé, Messi e Cristiano Ronaldo - é uma verdadeira anedota.
Podem alegar, e bem, que é tudo uma questão de gosto e de preferência. Mas basta um pouco de honestidade intelectual, conhecimento de futebol e atenção aos desempenhos na temporada passada para ver verdadeiras "aberrações" no onze votado.
Considerando que o guarda-redes Alisson (Liverpool), os centrais De Ligt (Ajax) e Van Dijk (Liverpool) e os avançados Messi (Barcelona) e Cristiano Ronaldo (Juventus) são mais ou menos unânimes, diria que não causa estranheza a presença dos médios Frankie de Jong (Ajax) e Hazard (Chelsea) - embora seja difícil aceitar a inclusão do internacional belga no meio-campo depois de o ver constantemente a jogar no ataque do Chelsea, inclusive a ponta de lança, na época passada.
Aceitável também é a eleição de Mbappé (PSG), embora votasse por exemplo em Salah ou Mané, figuras maiores de um Liverpool campeão europeu.
Verdadeiramente alarve, perdoem-me a expressão, é a presença de três jogadores do Real Madrid que, assim, acaba por ser o clube mais representado. Sergio Ramos, Marcelo e Modric, é preciso dizê-lo de forma clara, tiveram uma época de 2018/19 para esquecer, quer em termos individuais como coletivos.
Numa temporada em que a vitória no Mundial de Clubes não apaga os maus desempenhos na Champions (eliminado pelo Ajax nos oitavos de final), no campeonato (terceiro lugar), na Taça do Rei (meias-finais) e a derrota na Supertaça da UEFA, o Real Madrid somou ainda 18 (!) derrotas em 55 jogos e esta presença no onze do ano só se explica com peso histórico.
E nem se pode dizer que as seleções tenham servido para ajudar os referidos jogadores: Marcelo, muitas vezes suplente nos merengues, nem sequer foi à Copa América que o Brasil ganhou; Modric não evitou a despromoção da Croácia na Liga das Nações; e Ramos viu a Espanha falhar a presença na final four da Liga das Nações.
E tanto que havia por onde escolher melhor. Exemplos? Para a defesa Dani Alves (campeão francês e da Copa América, onde foi eleito melhor jogador), Robertson (campeão europeu) e Laporte (vencedor de quatro troféus no Man. City). Para o meio-campo, entre outros, indiscutivelmente Bernardo Silva, vencedor de quatro troféus no Man. City, a que juntou o título da Liga das Nações onde foi eleito o melhor jogador.
Numa temporada em que a vitória no Mundial de Clubes não apaga os maus desempenhos na Champions, Campeonato, Taça e derrota na Supertaça da UEFA, o Real Madrid, com Sergio Ramos, Marcelo e Modric, é o clube com mais representantes
