Sem Javi García e Witsel, o sérvio torna-se num jogador essencial no Benfica qualquer que seja o sistema escolhido por Jorge Jesus. Frente ao Nacional, e já sem o espanhol, começou no banco.
De patinho feio e tapa-buracos - o que se lhe quiser chamar -, Nemanja Matic passa a ser um jogador essencial neste Benfica de Jorge Jesus e, possivelmente, o único que não tem um substituto direto no onze titular. O sérvio passou a última época tapado por Javi García e poucas vezes foi opção: somou 18 jogos como titular, dos quais cinco nas Taças de Portugal e da Liga. Agora, sem Witsel nem Javi García, Matic é o único médio do plantel que dá algumas garantias no processo defensivo.
O problema é que Matic não parece satisfazer Jorge Jesus - e os primeiros sinais foram dados no último domingo. Frente ao Nacional, na primeira partida após a venda de Javi García, o treinador dos encarnados optou por puxar Witsel para trás e dar um lugar no onze a Carlos Martins, apresentando-se num 4-4-2 mais clássico, quando o mais simples seria substituir diretamente o médio espanhol pelo futebolista mais parecido que tinha com ele, não mexendo no sistema. Mas o sérvio foi para o banco, de onde saiu devido à lesão do internacional português. A partir daí, com Witsel de regresso à posição onde mais rende, o Benfica melhorou e construiu o resultado final de 3-0.
A manta pode remendar-se de várias formas: com Carlos Martins, com Bruno César, com Enzo Pérez ou até com o adiantamento de um dos centrais etc. Pode até Jesus recorrer à equipa B, mas (apesar das referências a André Almeida e André Gomes - e este último até tem jogado como médio-ofensivo na equipa de Norton de Matos) aí também não há nenhum jogador com as características de um 6 à imagem daquilo que o treinador principal pretende: forte fisicamente; capaz de se encaixar entre os centrais, quando a equipa tem a bola, por forma a permitir a subida dos laterais; e com um sentido de posicionamento semelhante ao de Javi García.
Jesus pode também mudar o esquema tático e apostar de forma mais consistente num 4-4-2, deixando de parte o seu preferido 4-1-3-2. Mesmo com essa solução, será difícil imaginar o núcleo do meio-campo entregue a uma dupla como Carlos Martins-Bruno César, Carlos Martins-Aimar ou Bruno César-Aimar. Nesse caso, será também preciso o músculo e capacidade defensiva de Matic para equilibrar uma equipa que sempre gostou de jogar de olhos postos no ataque.
Depender tanto de um jogador nunca é bom, muito menos num conjunto que irá disputar campeonato, Liga dos Campeões, Taça de Portugal e Taça da Liga. Pela posição que ocupa em campo, Matic estará sujeito a cartões e consequentes suspensões. É curto? Obviamente é. Mas é com isso que o Benfica vai ter de viver pelo menos até janeiro.
