LIGA-TE - Impõe-se a união de clubes, ligas e federações nacionais para evitar o agravamento do desequilíbrio competitivo.
Quando falamos do equilíbrio competitivo e económico referimo-nos a fatores e medidas que impedem o contínuo alargamento do fosso entre as ligas e os emblemas financeiramente mais poderosos.
Tal como a sociedade política, o futebol interno acompanha, depende e é influenciado pelo que se passa no plano internacional. Daí a profunda inquietação da generalidade das ligas europeias com o modelo que a UEFA pretende aprovar para o ciclo 2021/24 das competições que organiza.
"Acreditamos que o futebol deve ser um exemplo de solidariedade e de valores. Porque todos querem ganhar o que só um consegue."
Este projeto está em curso, tendo já sido aprovado o formato e a lista de acesso dos clubes às competições europeias para esse horizonte temporal, aliás - e lamentavelmente! - com claro prejuízo para os clubes portugueses, que perdem uma equipa na fase de grupos da Liga Europa e veem duas outras relegadas para a futura Liga Europa 2.
Mas não está ainda concluído: o Comité Executivo da UEFA irá aprovar as restantes regras do ciclo na primavera de 2019. Então, serão definidos os três pilares do ciclo 2021/24: critérios da distribuição financeira entre competições, sistema de coeficientes e mecanismo de solidariedade.
Impõe-se a união de clubes, ligas e federações nacionais, bem como do Sindicato dos Jogadores, Associação Nacional de Treinadores e APAF, para evitar o agravamento do desequilíbrio competitivo e para que saia reforçada a Europa do Futebol: mais solidária, mais equilibrada e, por isso, mais competitiva.
É nessa linha que estamos já a trabalhar no contexto da European Leagues. Em conjunto, apresentámos à UEFA um plano relativo aos três pilares, propondo a redução da disparidade entre a Liga dos Campeões e a Liga Europa; que se privilegie o mérito desportivo nas competições internas e aumente a redistribuição operada pelo mecanismo de solidariedade que terá de passar dos atuais 7,3% para 20% ou, dito de outra forma, de 242 para 661 milhões de euros, destinados aos clubes que, em cada época desportiva, não tenham logrado classificar-se para as competições europeias.
Importa sublinhar que mesmo as ligas mais poderosas concedem que cavar mais fundo o fosso que as separa das restantes concorrentes resultaria, mais cedo do que tarde, em prejuízo da evolução do futebol enquanto modalidade de paixão e talento.
Acreditamos que o futebol deve ser um exemplo de solidariedade e de valores. Porque todos querem ganhar o que só um consegue. E quando esse consegue, importa que os derrotados tenham condições para continuar a lutar pela glória. Esse é e sempre foi o motor desta paixão.
