DENTE DE LEÃO - Opinião de Marcos Cruz
Chateia-me que as pessoas ridicularizem o antigo presidente Bruno de Carvalho partilhando vídeos onde ele aparece a curtir em discotecas, como se houvesse nisso algum mal. Não percebo por que não o deixam em paz.
Já foi expulso de sócio, já o reputaram de louco, já disseram dele cobras e lagartos, mas pelos vistos não chega. E o homem, com os ditos vídeos, até mostra uma face interessante que lhe desconhecíamos, de tipo que não é careta, que gosta de sair à noite, de ouvir e passar música e abanar o esqueleto, que assume os seus momentos de evasão quando tantos outros os escondem, para parecerem santinhos.
Eu não tenho saudades dele na presidência, longe disso, e continuo bem ciente do degredo que foi aquele último ano, mas se aceito que talvez na altura não houvesse como evitar deitar fora o bebé e a água do banho, hoje acho que já passou tempo suficiente para que quem dirige o clube, cumprindo até o desígnio com que se apresentou de unir todos os sportinguistas, proponha a sua readmissão.
Seria um gesto digno, justo, pacificador e demonstrativo de responsabilidade social, na medida em que não nos faltam exemplos de que o ódio torna o futebol um fenómeno perigoso.
Felizmente, dentro de campo, a equipa tem contribuído para que o universo leonino viva uma fase de harmonia. E, agora sabemo-lo, se ela nalgum momento for posta em risco, a PSP intervém. Quando aqui criei esta sigla para designar o consórcio Pote-Sarabia-Paulinho já imaginava que ela pegasse de estaca, mas faltava ainda comprovar no relvado a eficiência do tridente luso-espanhol.
Ora foi exactamente isso o que aconteceu contra o Besiktas, onde Pote voltou a ser Pote, Sarabia apareceu mais solto e entrosado e Paulinho deu um passo importante para se livrar dos maus espíritos. Estamos a afinar a máquina de ferir adversários, agora que temos bem oleada a de os bloquear. E assim, pouco a pouco, vai surgindo no horizonte uma equipa completa.
Até Matheus Reis já se afirma como lateral de clube grande, proporcionando a Rúben Amorim o tempo necessário para trabalhar as lacunas de Vinagre. As lesões de Porro é que são estranhas, o rapaz queixa-se imenso mas depois vai-se a ver e nada, parece a história do pastor e do lobo - espero (estou a bater na madeira) que o lobo nunca venha, porque o sangue, o talento e a ousadia do espanhol são uma das centelhas do nosso futebol.
Posto isto, cada novo jogo é antecipado como uma prenda por desembrulhar. Dá gosto olhar assim para o caminho. Hoje temos nova prova exigente, na Mata Real, mas, ao contrário do que aconteceu durante anos a fio, nenhum sportinguista desconfia de que vamos sair de lá cabisbaixos. Chama-se a isto saúde.
