Pela primeira vez na era de Jesus, Benfica e FC Porto chegam a esta fase da temporada em quatro frentes
Desde que, em 2009/10, Jorge Jesus iniciou o consulado de treinador na Luz, Benfica e FC Porto têm andando num cara a cara permanente nas provas nacionais. O saldo de sucessos sorri francamente aos azuis e brancos, que por uma vez, em 2010/11, estiveram ainda na iminência de decidir com os encarnados - acabou por ser frente ao Braga - a final da segunda competição da UEFA. A discussão entre os protagonistas da rivalidade mais inflamável e inflamada do século XXI são recorrentes, mas, na era de Jesus, nunca como agora se acotovelaram tanto: esta é a primeira ocasião em que entram na segunda metade de fevereiro com aspirações imaculadas nas quatro frentes que atravessam uma época: campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa (ambos eliminados da Champions). Um por se sentir apertado na tentativa de alcançar o tetra, outro por não querer falhar pelo quarto ano seguido a conquista do título, Paulo Fonseca e Jorge Jesus foram mais jogadores de xadrez do que treinadores nas conferências de Imprensa de ontem, tamanho o calculismo com que banharam as suas palavras na véspera dos 16 avos de final da Liga Europa. É natural que este troféu valha mais, para os dois ou apenas para um, depois do "bota-fora" entre FC Porto e Benfica nas "meias" da Taça de Portugal e, salvo impedimento de secretaria, da Taça da Liga. Mas como nenhum consegue adivinhar o amanhã, o mais avisado é capricharem para ir muito longe na UEFA, conservando de boa saúde um fator nada desprezível quando (ou se) a motivação for golpeada no último terço da temporada.
