FC Porto e Benfica equipararam-se no desperdício e nos erros do passado. A classificação apela ao livro de regras
FC Porto e Benfica, ou Benfica e FC Porto, dividem agora a liderança da I Liga, expondo os caprichos do regulamento, apenas válido na fórmula final quando todos se tiverem defrontado duas vezes. Ou seja, se esta fosse a penúltima jornada, com a prevalência de golos, o Benfica era primeiro; se fosse a última, já contemplando o confronto direto, o FC Porto era campeão.
O melhor é colocar um asterisco junto à tabela para evitar mal-entendidos. Pode até ser um asterisco igual aos que portistas e benfiquistas deverão colocar junto aos respetivos resultados da jornada da retoma, para tentarem explicar a razão de terem sido muito mais fortes dos que os adversários e não terem vencido, porque a diferença entre ambos, no essencial, esteve na oferta de Marchesín.
No resto, os 17 remates dos portistas, alguns feitos em situações de um contra um com o guarda-redes, renderam um golo. Os seis tiros dos famalicenses valeram um golo e a oferenda ditou o vencedor. Os remates benfiquistas chegaram às duas dezenas com eficácia zero, e dos dois intentos permitidos ao Tondela, um arrepiou.
Como se explica que o FC Porto possa ter perdido depois de tanto domínio exercido, mesmo frente a um adversário valoroso? Falta de eficácia e más opções. Vale o mesmo para o Benfica: dominou, controlou, encurralou o adversário e somou decisões erradas, maus passes, má abordagem, demora na perceção do certo e do errado. Não, estes não foram problemas causados pela quarentena. Na melhor das hipóteses foram reavivados, porque já antes da paragem haviam afligido uns e outros.
