[Se depender da vacinação], em termos logísticos, o certificado digital disponibilizado pela DGS é precioso.
Pedro Proença não quis esperar por ninguém e anunciou, a 9 de julho, o regresso dos adeptos aos estádios de futebol. "Está confirmado o arranque da época com público nas bancadas!", fê-lo desta forma, com uma declaração escrita na sua página oficial de presidente da Liga Portugal nas redes sociais.
Em poucas horas, o Governo fez saber que, afinal, não havia nenhuma decisão tomada. Mas também não negou que a desejada presença dos adeptos (e das receitas que geram) não pudesse acontecer a tempo do início das competições. Ou o pregão de Proença foi extemporâneo - e nem o entusiasmo provocaria tal deselegância -, ou serve de pressão sobre o Executivo e a DGS, com quem tem reunido, mas que, conforme ontem anunciado, só decidirão após a reunião do Infarmed, no dia 27. Se houver um "sim", acontece a tempo da Supertaça (31 de julho, numa organização da FPF) e do início da I Liga (7 de agosto).
Entende-se a pressão de Proença, apesar de pouco cortês. Desculpa-se até o nervosismo de todo o futebol profissional, sobretudo se se confirmar a estimativa de perda revelada em janeiro deste ano: os impactos da pandemia terão causado perdas próximas dos 276 milhões de euros entre os 34 emblemas profissionais.
À diligência e velocidade do presidente da Liga não será alheio o movimento iniciado, em maio, por Luís Filipe Vieira, presidente demissionário do Benfica e em prisão domiciliária, e Jorge Nuno Pinto da Costa, que ontem voltou a ler sobre investigações a negócios do FC Porto com, nomeadamente, o empresário Bruno Macedo, um dos detidos na operação "Cartão Vermelho". Este "Movimento da Mealhada", que terá perdido um dos seus principais impulsionadores - Vieira tem agora mais com que se preocupar -, foi perentório para com o líder da associação patronal: faça lá como entender, tem é que haver público nas bancadas.
A decisão das autoridades civis e de saúde depende da evolução dos números da pandemia nos próximos 10 dias, mas também já se percebeu que há um alinhamento de vontades que pode ser a solução "científica" para, eventualmente, contrariar as teorias da conspiração e a razoabilidade da contestação sobre ajuntamentos: abrir as bancadas apenas a público com vacinação em dia. Medida algo discriminatória, mas a exemplo de outras geografias, onde muitos espetáculos de massas fazem depender as suas bilheteiras da vacinação. Para tal, em termos logísticos, o certificado digital disponibilizado pela DGS é precioso. Já para não falar na "vitamina" que o processo de vacinação ganhará.
