É muito complicado explicar as atuações dos candidatos ao título.
O futebol das casa vazias lá vai andando animado e aos tropeções, mas terei de admitir que esta também possa ser uma opinião a tropeçar num padrão desfasado da nova realidade.
Não se pode duvidar da superior valia de FC Porto e Benfica nesta I Liga, mas a forma como têm jogado está longe de o confirmar.
Acredito em problemas de concentração decorrente da falta de público, na maior dificuldade física dos jogadores pesadões depois de inédita paragem, mas depois de tanta espera toda a gente contava com mais.
O FC Porto deslocou-se a casa do último classificado tendo a favor o crédito de um empate para gerir na luta pelo título. Dispunha de dois pontos de vantagem sobre o Benfica e sabe que será campeão se terminarem empatados, mas a estranha realidade é ter esbanjado esse crédito à primeira intervenção e frente ao mais desqualificado dos oponentes.
Não pela ocorrência de qualquer fator mais bizarro do que a própria incapacidade para fazer golos. Passadas 24 horas, podendo anular a tal margem de conforto portista, o Benfica visitou o Rio Ave e nunca foi melhor enquanto estiveram onze de cada lado, empatou contra dez e ganhou a nove, tendo acabado a partida num mar de tremuras. Que diabo! O que praí vai na cabeça desta malta! O valor dos plantéis não mudou nem houve mercado. Entre os que se atravessaram no caminho dos candidatos, quem usava o autocarro para defender continua a fazê-lo, quem privilegiava o futebol das boas ideias mantém-no. Ou seja, Sérgio Conceição e Bruno Lage não têm sido surpreendidos pela forma de jogar dos oponentes. Por isso, custa a entender tanta dificuldade. Principalmente para quem da nova realidade só consegue registar a anormal quantidade de disparates dos mais fortes.
