RUGIDOS DO LEÃO - Um texto de opinião de Samuel Almeida.
A semana passada escrevi sobre o que não queria para o Sporting, focando minha atenção num tema estrutural e fraturante, como é a venda da maioria do capital da SAD. Sou frontalmente contra. Hoje venho dar mais um modesto contributo para uma discussão sobre o futuro do Sporting que se quer participada e plural. Parece-me óbvio que os sportinguistas pretendem essa discussão e querem um rumo. Deixo aqui umas breves linhas sobre a minha visão sobre o tema, sendo que abordarei no futuro alguns destes tópicos em maior detalhe.
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1 - Estatutos. O clube precisa de uma revisão urgente dos estatutos, a qual deve ser norteada por 3 princípios: reforço da participação dos sócios, segurança jurídica e maior independência e eficácia na articulação entre os diversos órgãos sociais. Temas como a segunda volta eleitoral, os poderes da MAG, comissão de vencimentos ou destituição dos órgãos sociais deve ser objeto de clarificação ou estatuição. O que não é aceitável são discussões jurídicas infindáveis e soluções dúbias que contribuem para a atrofia da vida associativa e o acerbar de diferenças. Os Estatutos não podem continuar a ser uma arma de arremesso contra o próprio clube. Sugiro a criação de uma comissão de reforma totalmente independente composta por vários sportinguistas de várias sensibilidades. Este é um tema estrutural e que exige amplo consenso.
2 - Capital da SAD. Sendo estruturalmente contra a venda da maioria do capital, admito a sua alienação - na altura certa e até ao limite de 49% - a um investidor institucional que permita dinamizar a marca e trazer sinergias. Tudo assente num acordo de gestão aprovado pelos sócios, uma estrutura profissional e uma equipa de gestão.
3 - Governance. Em termos de governação, defendo uma separação articulada entre órgãos sociais do clube e da SAD. Passo a explicar. O Conselho Diretivo do clube deve manter os atuais pelouros suportados por uma equipa de gestão profissional e um diretor geral do clube. Na SAD devemos passar a ter: (i) um CA alargado, presidido pelo presidente do clube e onde deverão ter assento as principais áreas de gestão, os membros da comissão executiva, o diretor geral do clube e outros stakeholders (um CA com funções de supervisão e estratégia); (ii) a SAD deve ser dirigida por uma comissão executiva totalmente profissional, com representantes do investidor, sendo liderada (ou não) pelo presidente do clube. Depende do perfil. Importante é ter um modelo claro assente na profissionalização total da gestão da SAD, supervisionada pelo presidente do clube.
O Sporting precisa de construir uma equipa de raiz e de um projeto desportivo claro, assente em 3 ou 4 jogadores de categoria inegável
4 - Núcleos. Esta é uma área abandonada e descurada, quando é certo que os núcleos são a força viva do clube fora de Lisboa. Tudo tem sido feito à custa de carolice e boa vontade, é tempo de mudar. Merecem uma política integrada, uma estratégia comercial comum e a participação ativa na vida do clube. Uniformizar a imagem, ligar os núcleos em rede, criar pontos de venda e assegurar a sua representação em órgãos consultivos do clube.
5 - Política desportiva. O Sporting precisa de construir uma equipa de raiz e de um projeto desportivo claro, assente em 3 ou 4 jogadores de categoria inegável (um por setor), jovens da formação e jogadores recrutados no mercado nacional. Integram-se mais rapidamente e conhecem a cultura e o futebol nacional. O Sporting sempre se deu bem nestas apostas: Delfim, Sá Pinto, Pedro Barbosa, Paulo Bento, Rui Jorge, Toñito, só para nomear alguns. O futebol português está repleto de bons (e jovens) jogadores em equipas como o Rio Ave, Guimarães, Famalicão, etc. Uma equipa jovem, maioritariamente portuguesa e com forte identificação com a massa associativa. Uma política desportiva clara, inequívoca e com um rumo. Uma equipa paulatinamente construída para chegar ao topo do futebol nacional, que é o único lugar digno para a ambição do Sporting Clube de Portugal. Estabilidade, um rumo e uma política desportiva clara.
6Ecletismo. O ecletismo do Sporting faz parte do seu ADN e terá de manter-se a aposta nas principais modalidades de pavilhão. O futsal, hóquei, andebol e basquete fazem parte da cultura leonina e sua História de glória.
Haveria mais temas, mas estes são os eixos estruturantes do que gostaria de ver implementado no clube. Não temos de estar todos de acordo, mas todos temos a obrigação de contribuir para o futuro do clube. O tempo urge e o Sporting Clube de Portugal precisa de todos!
