VISTO DE ITÁLIA - A opinião de Cláudia Garcia, aos domingos n'O JOGO.
A Juventus tem as melhores individualidades, não há dúvida, mas a estratégia montada por Sérgio Conceição no jogo da primeira mão funcionou e pode voltar a funcionar em Turim.
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O FC Porto não sofreu muito frente à nove vezes campeã de Itália e duas vezes finalista da Liga dos Campeões (2015 e 2017). A boa notícia para o FC Porto é que esta Juventus já não é essa das finais europeias. A Juve de 2015 tinha um meio-campo fenomenal, com Marchisio, Pirlo e Pogba. Em 2017, Dybala estava em grande forma e, com Higuaín na frente, a Juve parecia uma equipa imbatível até perder 4-1 com o Real Madrid na final. Essa equipa de 2017 também tinha um meio-campo mais forte, com Marchisio, Pjanic, Khedira, principalmente estes dois, no melhor momento de forma das suas carreiras. Além disso, nos últimos dois anos, a Vecchia Signora não superou os oitavos de final da Champions. No ano passado caiu frente a um organizado Lyon e há dois anos contra o Ajax.
FC Porto tem de limitar Arthur a funções defensivas e evitar entradas em profundidade de Chiesa e McKennie
O FC Porto precisa disso mesmo: ser organizado os 90 minutos. A Juve de Pirlo não tem tantos criativos, renovou o meio campo e vai ter com certeza uma grande equipa para o futuro, mas o presente ainda é uma incógnita. Sem Dybala, os únicos que podem criar algo de diferente são Arthur e Chiesa. Sem Bentancur - que está com covid - o FC Porto tem de tentar manter o brasileiro mais ocupado em funções defensivas e limitar as entradas em profundidade de Chiesa e McKennie, e, claro, tentar limitar o espaço de CR7 no último terço do campo, como fez muito bem no Dragão. A arma da Juve vai ser Cuadrado e o regresso de Morata ao ataque, mas esta equipa de Pirlo, com a ausência de Dybala, está a sentir muita dificuldade para construir um jogo entre linhas. Pode ser uma vantagem para um FC Porto que jogue com organização, concentração e alta intensidade.
