DRAGÃO DO SUL - Opinião de Paulo Baldaia
"Joga-se para lá do minuto noventa, o visitante ganha folgadamente, vem de um mês com muitos jogos e tem pela frente um calendário apertado e com jogos importantes, mas insiste em fazer pressão alta, em não deixar o adversário sair com jogo controlado, os jogadores não evitam meter o pé para ganhar a disputa de bola, querem mais, nunca deixam de procurar o golo". Este relato sintetiza os quatro minutos suplementares de um jogo e só há uma equipa em Portugal a jogar assim, o Futebol Clube do Porto de Sérgio Conceição.
Na linha mais avançada impressiona de igual forma a solidariedade entre a dupla que, esta época, vai fazendo caminho e história
A cereja em cima do bolo foi mesmo o golo (o primeiro de muitos pela equipa principal) de João Mário, um entre os vários jogadores da formação que Sérgio Conceição já lançou, mas o que se destaca nesta equipa é a disponibilidade dos suplentes que entram e que têm mostrado serem capazes de acrescentar ao jogo, mesmo quando a equipa já tem o jogo controlado. E é assim quando entram com jogo corrido, como é quando entram na equipa inicial a substituir habituais titulares, que tenham de ficar de fora por lesão ou por castigo.
Na linha mais avançada impressiona de igual forma a solidariedade entre a dupla que, esta época, vai fazendo caminho e história. Os últimos jogos têm sorrido mais a Taremi no que diz respeito ao número de golos, mas Marega não esconde a sua felicidade por ver o companheiro triunfar, corre para ele, com um sorriso de orelha a orelha, de braços abertos, com pressa de festejar. E, sejamos honestos, há golos que são dos dois. Como o terceiro em Famalicão, marcado pelo iraniano, que beneficiou do facto do maliano ter levado cinco (5!!!) jogadores com ele, deixando Taremi sozinho para disparar como quis.
Na defesa, são contrariedades atrás de contrariedades e, ainda assim, tem dado conta do recado. Quem imaginava no início da época que, num jogo difícil como o de Famalicão, a defesa podia ser Nanu, Mbemba, Diogo Leite e Zaidu? A verdade é que sofreram apenas um golo de um penálti que não existiu. Do meio campo nem é preciso falar, tal a qualidade e intensidade dos que entram de início e dos que ficam no banco.
Se fomos capazes de chegar aqui, não desistindo de jogar até ao fim, mesmo a ganhar 4-1, então podemos jogar com confiança em todas as provas
E a jogar assim, com vontade, com garra, com amor à camisola e à ideia de jogo do treinador, não há equipa de arbitragem, no campo ou na cidade do futebol, que nos consiga derrotar. Ficará para o esquecimento, porque acabamos por vencer com relativa facilidade, mas podia ter corrido mal. Marcar um penálti, que o VAR tinha a obrigação de ver que não era, que deu o empate à equipa da casa foi muitas vezes o suficiente para nos tirar pontos. E não era um lance difícil de avaliar, todos em casa puderam confirmar com uma única repetição, que Diogo Leite corta a bola e é pontapeado pelo atacante do Famalicão que chega tarde à bola.
Repito o que aqui escrevi recentemente, se fomos capazes de chegar aqui com quinze jogos consecutivos sem derrotas (um empate apenas), não desistindo de jogar até ao último minuto, mesmo estando a ganhar por 4-1, então podemos jogar com confiança todas as competições que estamos a disputar. E como, juntamente com o Braga, somos os únicos que ainda estamos em todas as competições da época, temos de incluir a Liga dos Campeões, onde nos calhou em sorte a Juventus de Cristiano Ronaldo e Paulo Dybala.
