TEORIAS DO CAOS - Da NBA chegou o exemplo. Mesmo impopulares, as escolhas do treinador valeram o título.
Sérgio Conceição chegou ao FC Porto num tempo complicado. Não havia dinheiro para contratar e a solução foi potenciar os existentes, tirar deles o que nunca se lhes vira porque, usando as palavras certas, o treinador teve de se socorrer de jogadores rejeitados pelos antecessores. Como foi campeão e fez figura na Champions, para a segunda época quase não houve mexidas no plantel, porque a exceção chamada Éder Militão entrou para a vaga de Marcano, um dos quase imprestáveis que renasceu e saiu como craque.
Sabendo-se que o dinheiro continua a não abundar para os lados do Dragão, Sérgio estará perante um desafio gigantesco.
Finda a segunda época, com um brilharete ainda maior na Liga dos Campeões, mas ficando-se pelo segundo lugar na I Liga e pelas finais nas taças, Sérgio Conceição enfrenta uma série de saídas e vai ter de construir um plantel... próprio ou assemelhado a isso.
Sabendo-se que o dinheiro continua a não abundar para os lados do Dragão, estará perante um desafio gigantesco. Tem a vantagem de subordinar as escolhas à ideia, o perfil será sempre mais importante do que a figura, mas precisa de ladear as restrições. Tudo será mais ou menos complicado consoante a administração lhe possa facultar planos A ou... planos B.
No Benfica a situação começa por ter uma realidade diferente - há dinheiro! -, mas também é tempo de compras. Bruno Lage pegou num plantel feito e com a época em andamento, fez escolhas, promoveu esquecidos e tornou dispensáveis alguns intocáveis de várias épocas. Agora também ele precisa de fazer acertos, de colocar assinatura no grupo. Com dinheiro é mais fácil, pelo menos no campo teórico, ainda que a ideia continue a ser o mais importante.
A NBA deu esta época um exemplo ao mundo dos desportos coletivos. Nick Nurse estreou-se como treinador dos Toronto Raptors, equipa do Canadá que disputa o supercampeonato dos Estados Unidos, e mal tomou posse tomou uma decisão polémica e impopular: trocou DeMar DeRozan, a grande estrela do plantel, por Kawhi Leonard, que apesar de ser um craque na época anterior fizera apenas nove jogos ao serviço de San Antonio, entre uma lesão grave e desentendimentos com o treinador.
Nick Nurse convidou para adjunto o selecionador (!) de Espanha - Sergio Scariolo, triplo campeão europeu de seleções - e em fevereiro tomou nova medida impopular, permutou o lituano Jonas Valanciunas, de 27 anos, pelo espanhol Marc Gasol, de 34. Contra todas as previsões, os Raptors foram campeões da Conferência Este, ultrapassando o favoritismo dos Milwaukee Bucks com um resultado louco (2-4 depois de estar 2-0) e deixaram toda a gente de olhos arregalados.
E o resultado da final com Golden State (4-2 ganhando um jogo em casa e três na do adversário), mesmo descontando os azares que atingiram os então campeões, fizeram de Toronto um campeão menos surpreendente. Nurse tinha uma ideia, escolheu os jogadores que a serviam e ganhou. Ao não poder ter todos quantos queria (na NBA não há transferências milionárias entre clubes, mas há tetos salariais), tomou decisões, pôs a assinatura no plantel.
