Embora com a I Liga embrulhada, Vitória aceita o alto risco pelos "quartos" da Champions: espremer os melhores
O resultado no quinto clássico da temporada saiu-lhe outra vez ao lado, descompôs-lhe o andamento na ressuscitada marcha pelo tricampeonato, mas o treinador do Benfica continua a querer ir a todas. Cumprindo o prometido na projeção do duelo de hoje com o Zenit - "Não vou fazer gestão a pensar no jogo seguinte", disse -, Rui Vitória ousará testar a capacidade física e anímica da equipa com um lance de alto risco, agarrando nas melhores fichas disponíveis e pondo-as no tabuleiro da Champions, "ignorando" que no sábado, a duas jornadas de novo e eventual decisivo choque com o Sporting, os encarnados só estarão autorizados a regressar de Paços de Ferreira com um triunfo. O discurso faz supor que, pelo menos para Vitória, antes de a bola começar a rolar na primeira mão, a hipótese de apuramento para os quartos de final da prova milionária é levada muito a sério e pela mesma valerá a pena, nesta fase crítica, apertar e espremer tudo o que os artistas tenham para dar. É um encaixe de seis milhões de euros que está no horizonte - correspondente ao prémio de qualificação -, mas acima dessa gorda maquia, acredita-se, estará a probabilidade de afirmação instantânea de uma política desportiva (que não vira costas à formação) sem Jorge Jesus. Com este treinador na Luz, note-se, em cinco participações na Liga dos Campeões o Benfica só por uma vez atingiu os "quartos". Claro que se a primeira mão correr mal, a estratégia poderá ser revista e levar à remodelagem da "gestão" daqui por três semanas, em São Petersburgo. Por ora, Vitória aponta à galvanização depois de uma "derrota injusta", na sua forma de analisar, mas o perigo de esmorecimento é um lobo que anda à solta.
