O carrasco dos resultados já piscou o olho a Carvalhal, enquanto Boavista e Portimonense fazem pela vida, para evitar sustos lá mais para o fim.
Como já tudo foi dito sobre as sete vitórias consecutivas do Benfica e as tenacidades de FC Porto e Sporting para vencerem, respetivamente, Gil Vicente e Marítimo pela margem mínima, convém espiolhar o que se passa do terceiro lugar para baixo, até porque o Estoril já deixou de se intrometer na tradicional luta a três.
Desde logo, uma retoma de tradição que se fez à custa de uma estrutura desportiva leonina que parece ter equilibrado competitivamente o plantel, em que o mérito de Rúben Amorim nesse particular parece indiscutível. Por outro lado, apesar de ainda se pode dizer que há muito campeonato para disputar, os cinco e nove pontos de que o Braga já dista dos segundos e primeiro classificados pode ser o reflexo de alguma perda de fôlego na aproximação aos três grandes, que, nos últimos anos, o emblema liderado por António Salvador estava a conseguir com alguma insistência.
Ontem, a generalidade da Imprensa fazia eco da pressão a que está sujeito o treinador dos minhotos. O recado é mais ou menos este: ou Carlos Carvalhal ganha na Liga Europa ou na oitava jornada... ou há caldo entornado. A ditadura resultadista, em Portugal, é implacável, quase infame.
Muito pior, também ali para os lados do Minho, anda o Famalicão - último, com três empates e quatro derrotas -, mas Ivo Vieira parece ter ainda algum período de conforto, até porque os objetivos são claramente diferentes, apesar da época fantástica de 2019/20. Dois anos depois, há um objetivo, para já, assumido: sair do fundo da tabela, onde também mora o Belenenses (tem apenas mais um empate que os famalicenses).
Ao contrário das tendências das últimas duas épocas, quem parece estar em rumos mais tranquilos é o Boavista (sétimo) e o Portimonense (sexto), que têm amealhado pontos numa fase fundamental, tendo em conta que a permanência é, ainda, e por muito que possa custar aos axadrezados este género de pragmatismo, o objetivo primário. Se no Algarve há latitude para negócios, mesmo que os algarvios caiam numa segunda divisão, o mesmo não se pode dizer do Boavista, não só ainda com uma folha de dívidas para limpar, como agora vivem na dependência de um só acionista. E quando assim é, cautelas e canja de galinha podem não ser suficientes.
Do caldo de ambição, histórico e protagonistas há um Vitória de Guimarães que teima em não corresponder às equações possíveis. Boa estrutura, um bom plantel e um treinador a que muita gente do futebol - e não falo de comentadores, que nós somos pagos para dizer o que nos apetece - considera um dos melhores da sua geração. Porém, a bola tem batido nos ferros mais vezes do que nas redes das balizas. Há quem diga que ao Vitória só falta "um bocadinho assim", uma expressão famosa. Mas quando falta anos seguidos...
