Arturo Vidal lançou uma discussão que vai para além do Barcelona: não se pode ficar parado no tempo.
A crise provocada pelo caso Messi destapou uma realidade difícil de imaginar anteriormente no Barcelona.
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Percebe-se que o desgoverno é assustador e até a Liga, enquanto instituição aglutinadora de entidades patronais, entendeu tomar posição numa questão jurídica e garantir ao filiado direitos sobre o futebolista, depois de o próprio presidente do Barça se oferecer para sair se essa fosse condição para o jogador ficar.
No meio de uma agitação sem par, surgiu um rasgo de sanidade mental surpreendente. Não por ser da autoria de Arturo Vidal, tido muitas vezes como um irreverente exagerado, mas pela frieza das palavras. Segundo ele, o problema está no facto de todos à volta de Camp Nou continuarem a falar no ADN Barça quando esse mesmo ADN ficou para trás, perdido no tempo. Esse é o verdadeiro problema.
Se uma ideia parte com quem a desenvolveu, quem se lhe seguir tem o direito de trabalhar pela própria cabeça, de mudar as coisas. Quando alguém pensou que o Benfica tinha criado o próprio ADN com Jorge Jesus, não terá demorado a perceber que cometeu um erro tremendo. Jesus é quem é, chega e impõe-se, quando sai leva a herança com ele, não dá para seguir ou imitar.
Também o FC Porto gosta de falar de ADN e é possível que o faça de um modo mais assertivo, porque não tem a ver com filosofia de jogo mas sim com atitude, gostar do clube, estar disposto a pô-lo à frente de tudo. Atirar-se para o chão para levar com a bola, rasgar-se todo, levantar-se e seguir em frente, lutar e correr até cair, porque esse modo de estar serve qualquer treinador.
Numa coisa Vidal tem razão: a escola é importante, mas não se ganha com a história ou preso ao passado, é preciso ter boa equipa e fazê-la funcionar.
