ECOS SEM VÍRUS - A opinião de Manuel Queiroz
A Corona-Bundesliga
"Não vai chegar só jogar bem. Vai ser a época do power-play", diz Hansi Flick, o treinador do Bayern Munique que entra nesta última fase da competição com quatro pontos de vantagem nesta "corona bundesliga". Vai ser preciso "power", portanto.
Flick fez ontem uma teleconferência de Imprensa, sem jornalistas na sala e só com o assessor de Imprensa ao lado, e acha que no treino "a equipa até respondeu com um jogo relativamente rápido". Será possível jogar tão bem como antes? É a dúvida e Flick espera que sim. Já Mark Uth, avançado do Schalke, diz que os dados mostram que "em termos de corrida não estamos onde é costume estar na 26ª jornada" e ninguém estranha isso.
Televisão com som gravado
A Sky Alemanha tem agora uma opção em que os seus assinantes da Bundesliga podem receber imagens com sons gravados de público, enquanto a opção normal é o som do estádio. Correm riscos alguns treinadores se calhar, porque se vai ouvir tudo e perceber que as suas instruções para dentro do campo se calhar não são grande coisa e têm muitos palavrões à mistura. Correm risco alguns jogadores porque se vai ouvir tudo o que disserem. Tal como os árbitros, de resto. Não sei se o som do campo vai ser o normal - tenho sérias dúvidas se os clubes e os árbitros não vão pedir que seja com som do público gravado. É muito arriscado.
Coisas que vão mudar
Há várias que são evidentes: se um jogador fizer uma falta e magoar o adversário, não vai lá pedir desculpa (pode pedir de longe...) nem ajudar a levantar-se, acho eu; não se pode cuspir para o chão; supõe-se que não vai haver aquelas assembleias dos jogadores à volta do árbitro - distanciamento social "oblige"; os jogadores chegam em várias carrinhas aos estádios e não num autocarro único; e os alemães acham que vai haver mais golos de bola parada porque os jogadores tiveram pouco tempo para treinar (menos de duas semanas) sem proibição de contactos.
Suécia ainda à espera
Os clubes suecos estão contra o epidemiologista que aconselha o governo, Anders Tegnell, hoje uma celebridade no país. Dirigentes dos principais clubes criticam o facto de ainda não haver uma decisão sobre o futebol, que dificilmente volta ainda este mês, como estavam à espera. Tegnell diz que o problema não são os jogadores. Sendo certo que não haverá espectadores nas bancadas, o receio são os adeptos, que se podem juntar perto dos estádios ou em sítios públicos sem distanciamento. Tegnell diz que o futebol terá que esperar..
