Se Farioli tivesse triunfado no Ajax não estaria cá. Que aprenda a ganhar e fique. E que calibre também o sofrimento. O coração do adepto é frágil
O mandamento mais intrigante na tábua do futebol é o que fala da aprendizagem do sofrimento. Sobretudo porque o jogo deriva de um acto lúdico inicial e não de uma peregrinação de joelhos esfolados. Há nele uma ressonância penosa, de descida às catacumbas cristãs - mas com a adaga na caneleira para ferir o adversário na jugular, se surgir a oportunidade. É a velha luta entre ricos, pobres, remediados, todos contra todos, e se os treinadores batem na tecla sofrida é porque vivemos num tempo em que o paraíso é vendido por anúncio. Mas o paraíso é um caminho de pedras, não basta o talento, há mesmo que aprender a sofrer. Daí o sacrilégio de Luis Enrique ao dizer que o futebol era um desporto merdoso, talvez pensando que o orçamento lhe daria o direito de vir a Alvalade cumprir uma formalidade.

