Pedrosa e Campos: a nova dupla de sonho que tem Maia e Brenha como referência

Pedrosa e Campos: a nova dupla de sonho que tem Maia e Brenha como referência

Miguel Maia e João Brenha atingiram o céu no voleibol de praia. João Pedrosa e Hugo Campos trabalham, com o apoio da Federação Portuguesa de Voleibol, para lá chegar.

Há menos de dois meses, João Pedrosa e Hugo Campos foram recebidos, euforicamente, por dezenas de pessoas na Estação de Espinho, depois de uma viagem de sonho (de avião desde o Brasil até Lisboa e de comboio até à cidade da Costa Verde), pois regressavam com um feito inédito no voleibol nacional.

A dupla de vólei de praia, que no âmbito de um projeto da Federação Portuguesa de Voleibol (FPV) começou a trabalhar em 2019, no Centro de Alto Rendimento de Cortegaça (Ovar), conseguira, em Maceiô, no Brasil, sagrar-se campeã do mundo de voleibol de praia universitário. Foi o melhor resultado de sempre de portugueses na competição, após o quinto lugar de Rosa Couto e Marta Hurst, em 2014, no Porto.

"Quando cheguei a casa, sentei-me no sofá com a medalha e aí é que me caiu a ficha e percebi que realmente tínhamos ganho e foi mesmo um sentimento de muita felicidade", conta João Pedrosa, jogador com 1,95 metros. "Depois de ganharmos, não nos passa nada pela cabeça", recorda Hugo Campos. "Só queríamos festejar e agarrar as pessoas que nos apoiaram e que nos dizem muito. Aos poucos é que fomos percebendo que somos campeões e os melhores da nossa idade na universidade", adianta o distribuidor, formado no Castêlo da Maia e que, antes de optar pela praia, jogou com Pedrosa no Sporting de Espinho, em 2018/19.

Pedrosa e Campos ganharam três medalhas no World Tour de 2021 (duas de prata e uma de bronze), este ano mais uma de prata no Future de Cortegaça, e no final de outubro, ficaram em nono lugar nas duas etapas do Beach Pro Tour Challenge, no Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Os jovens têm feito recordar Miguel Maia e João Brenha, que conseguiram dois quartos lugares nos Jogos Olímpicos, em Atlanta"1996 e Sydney"2000, entre uma carreira recheado de medalhas.

"São as grandes referências do voleibol nacional. O que o Miguel e o João fizeram será muito difícil de atingir. Não digo que seja impossível, porque nada é, mas o nosso grande sonho é chegar aos Jogos", revela Pedrosa. "É um objetivo ambicioso, mas se não for nos de Paris, em 2024, vamos lutar para estarmos em Los Angeles, em 2028", aponta. "Temos de fazer grandes torneios e excelentes resultados. E ser muito consistentes durante duas épocas, porque o que conta são os dois anos anteriores. Com a competição que temos atualmente é muito difícil, mas não é impossível", remata o capitão da nova dupla de sonho do voleibol de praia.

Ferramentas do treinador

Antigo central, Leonel Gomes aceitou o convite do diretor da FPV, Leonel Salgueiro, porque, "apesar de nunca ter tido uma experiência como treinador de competição de praia, já tinha dado treinos nesta modalidade na formação, no Esmoriz". "Sempre me identifiquei muito com o voleibol de praia enquanto atleta e entendi que seria uma boa oportunidade estar num projeto de bandeira e muito ambicioso. É um orgulho tremendo representar Portugal noutros países", conta, entre sorrisos, o técnico de 40 anos.

"O voleibol de praia é muito mais individual e técnico. Os dois jogadores têm de evoluir tecnicamente, num todo e individualmente. Se um for mau tecnicamente, o outro consegue compensar um pouco, mas chega a um certo patamar que é muito difícil", explica Leonel Gomes, que procura, diariamente, "arranjar ferramentas no treino" para trabalhar "a parte mental e motivacional".

Los Angeles"2028 não é miragem

Leonel Salgueiro não tem dúvidas de que Pedrosa e Campos "têm potencial para chegar aos Jogos Olímpicos". "Acredito muito mais em 2028 do que em 2024, apesar de considerar que Paris, para um objetivo intermédio no projeto, será possível. Mas Los Angeles não é, claramente, uma miragem", defende o diretor técnico da FPV. "Se estamos a investir é porque eles têm talento e acreditamos que vão atingir essa meta", sustentou.

O ex-treinador, de Viana do Castelo, que trabalha na Federação há 19 anos, explica que o Centro de Alto Rendimento de Cortegaça começou num pavilhão que foi reestruturado. "Tinha pouca utilização e estava em subaproveitamento". "Depois de um acordo entre a Federação, a Junta de Freguesia de Cortegaça e a Câmara de Ovar, optámos pela utilização do pavilhão para fazer uma estrutura coberta. A construção do espaço exterior é usada frequentemente, dependendo das condições climatéricas", referiu. "Este espaço é também utilizado por uma dupla de voleibol feminino e duplas mais jovens para observação", indicou. "Como não chegam só o campo e as bolas para treinar, temos também um ginásio de musculação. Foi criada uma infraestrutura para um ginásio de trabalho de força, fundamental no trabalho de alto nível", apontou o estratega do projeto de Vicente Araújo, presidente da FPV.

Prémios das etapas para os jogadores

O diretor técnico da Federação Portuguesa de Voleibol contou que João Pedrosa e Hugo Campos "recebem um apoio financeiro mensal, para despesas", da Federação, que "suporta todos os custos das participações em provas internacionais, ficando os prize money para eles." E para o treinador, Leonel Gomes, que passou grande parte da sua vida em Francelos (Gaia), também?

"O prémio é para a dupla. Se dividem com o treinador não sabemos", garantiu. "Pagamos um vencimento mensal ao treinador, damos um subsídio para as despesas deles, para treinarem, e suportamos todas as despesas para a participação nas provas, como viagens ou alojamentos", informou. Leonel Salgueiro diz ainda que a FPV não tem "um patrocinador para a dupla de voleibol de praia", acreditando, porém, que "a médio prazo poderá aparecer, se continuarmos a trabalhar e a ter resultados."