Hugo Silva a OJOGO: "Nunca me foi proposto sair do Sporting"

Hugo Silva a OJOGO: "Nunca me foi proposto sair do Sporting"
Frederico Bártolo

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A lecionar no ISMAI, o selecionador nacional preferiu valorizar a vertente familiar, dizendo a O JOGO que a compensação financeira oferecida não era suficiente para o aliciar a ficar no Sporting.

Hugo Silva deixou o cargo de treinador de voleibol do Sporting. Sem mágoas, aponta a O JOGO erros na temporada e reconhece que a redução do investimento dos leões e a mudança para Lisboa pesaram para a rescisão amigável.

O Sporting não quis contar consigo para 2019/20?

-Nunca me foi proposto sair. A opção foi minha. O Sporting tudo fez para que continuasse.

Mas tinha um ano de contrato...

-Acordámos uma rescisão amigável. Não quero mais nada do clube. Só quero que me recordem pela paixão que tive pelo Sporting.

A exigência da Direção de mudar a equipa para Lisboa [treinava em Fiães] ditou este desfecho?

-O clube esgotou tudo o que podia esgotar. Contudo, existem outros valores que pesaram na minha decisão. Privilegiei a vertente familiar e não acho benéfica a mudança para Lisboa. Sou professor no Instituto Politécnico da Maia [ISMAI] também.

Mas o clube procurou negociar convosco?

-Houve um esforço para dar condições maiores, para compensar a mudança, mas não foram suficientes. Foi tudo muito rápido. Claro que o clube ganha em ter todas as modalidades no mesmo espaço, mas isso foi-nos comunicado enquanto estávamos na decisão pelo título, no play-off.

E os jogadores ficam?

-É difícil. Alguns estavam no projeto por estarem perto de casa.

Alguns atletas renovaram antes da saída do Hugo. Foi feito à sua revelia?

-A partir do momento em que decido sair, já não passa por mim. Dei contactos à Direção para trazermos alguns jogadores, com um projeto ambicioso para reconquistar o título. O clube vai reduzir o investimento nas modalidades. O projeto fica menos aliciante, mas acredito que o Sporting estará forte.

A pressão aumentou por não vencerem?

-Sempre me apoiaram, mal seria... Fomos campeões no regresso do clube à modalidade. Nenhum jogador me foi imposto, tive carta branca nas decisões.

Então, o que falhou?

-Como disse, o momento em que nos comunicaram a possibilidade Lisboa não foi bom. Contudo, as culpas também são minhas. As escolhas dos jogadores não foram boas. Fui enganado pelos empresários e aprendi. Não ganhámos, mas ficámos perto de uma final europeia e ombreámos pelo título com o Benfica.

Fica só pela seleção?

-Sim. Não tenho espírito emigrante. Tive propostas do estrangeiro ao longo do tempo, mas escolho a estabilidade.