"Acabo quando os músculos e os ossos não derem mais"

"Acabo quando os músculos e os ossos não derem mais"

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Melo Rosa

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ENTREVISTA - Roberto Reis, oito vezes campeão nacional de indoor e oito de voleibol de praia, voltou ao Esmoriz, clube onde começou a jogar aos oito anos, sob o comando de António Loureiro.

Roberto Reis está de volta ao Esmoriz, clube da I Divisão Nacional onde começou o seu percurso. Um caminho enriquecido com a conquista de oito campeonatos indoor (no Sporting de Espinho e no Benfica), oito de praia - sempre com Kibinho -, cinco Taças de Portugal e sete Supertaças, seguidas.

"O meu título mais saboroso foi o último, pelo Benfica", diz o jogador de 39 anos. "A família foi muito importante; agradeço à excelente família que tenho. Sem eles, não tinha superado um grande obstáculo: joguei com uma rotura do ligamento lateral interno nas meias-finais e na final, contra o Sporting de Espinho. Estava fisicamente debilitado, a 70 por cento", recorda o atacante, que tem 99 internacionalizações.

O segredo para somar tantos títulos, conta Roberto, é simples. "Trabalho acima de tudo. Ou, como se costuma dizer, sangue, suor e lágrimas, tentando sempre aproveitar ao máximo o talento. Dou muitas vezes o exemplo do Cristiano Ronaldo e do Messi: um é talento, o outro é pelo trabalho. Mesmo no vólei, não existe nenhum jogador que chegue muito longe, na fase atual, sem as duas coisas aliadas. Este é um desporto extremamente completo e é necessário reunirmos tudo para chegar longe", defende o segundo jogador mais velho do Esmoriz (Hugo Ribeiro, líbero, tem 41 anos), que para já não pensa arrumar as sapatilhas de competição.

"Enquanto me sentir capaz e enquanto acordar sem me doerem os ossos e os músculos, estou aí para as curvas. Não tenho uma idade-limite", garante. Por isso, acrescenta, só vai "acabar a carreira quando os ossos e os músculos não derem mais". "Enquanto sentir que sirvo de exemplo para os outros pensarem "quero ir por ali, quero fazer assim", vou continuar a jogar. Quando chegar ao treino cheio de dores, sentir que é um sacrifício jogar voleibol e andar-me aí a arrastar-me dentro do campo... não contem comigo", promete o pai de Gustavo, 11 anos, que joga nos infantis do clube, sob a orientação de Domingos Paulo.

"Não gosto de dizer que sou um exemplo para os mais novos. Cada um tem a sua postura, a sua personalidade, a sua maneira de ser e de trabalhar. Ser um exemplo é um pouco subjetivo", atira. "Não gosto de pôr as coisas nesses termos", adiantou, enquanto era tratado pelo fisioterapeuta Bártolo Amorim. "Gosto de aconselhar e de responder a quem me questiona. Ser um exemplo é um termo muito forte. Cada um trabalha para evoluir. Não há pessoas iguais", remata o zona-4.