Quénia ainda sem vencer no atletismo, China descola no topo das medalhas

Quénia ainda sem vencer no atletismo, China descola no topo das medalhas
Redação com Lusa

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Alguns dos destaques do 10.º dia de competição nos Jogos Olímpicos.

O Quénia prolongou esta segunda-feira a ausência de títulos ao fim de quatro jornadas de atletismo nos Jogos Olímpicos Tóquio'2020, cujo 10.º dia de competições teve uma fuga acentuada da China no topo da tabela de medalhas.

Histórica potência da modalidade, o país africano terminou um reinado incontestado de 53 anos nos 3.000 metros obstáculos, que foram vencidos pelo marroquino Soufiane El Bakkali, em 8.08,90 minutos, ao escapar na reta final ao etíope Lamecha Girma.

O queniano Benjamin Kigen chegou em terceiro, no ocaso de uma sequência de 11 sucessos, desde o Mexico'1968 até à vitória do recordista olímpico Conseslus Kipruto no Rio2016, apenas descontinuados pelo boicote dos africanos aos Jogos de 1976 e 1980.

O Quénia também tinha arrebatado os 5.000 metros femininos há cinco anos, mas não passou do segundo posto de Hellen Obiri, ladeada no pódio pela etíope Gudaf Tsegay, terceira, e pela holandesa Sifan Hassan, que triunfou ao fim de 14.36,79 minutos, consumando o primeiro de três "sonhos" em Tóquio'2020, a par dos 1.500 e dos 10.000.

A chuva intensa no Estádio Olímpico condicionou o programa noturno de competições femininas, entre as quais a final do lançamento do disco, que esteve interrompida vários minutos, mas seria retomada a tempo de "coroar" a norte-americana Valarie Allman, cujo ensaio inaugural de 68,98 metros lhe permitiu competir sem nunca mais largar o topo.

A alemã Kristin Pudenz superou a cubana Yaime Pérez na luta pela medalha de prata, enquanto a portuguesa Liliana Cá foi quinta, registando apenas dois lançamentos válidos em seis possíveis, acusando as condições praticamente impraticáveis nas rondas finais e as lesões que sofreu numa queda antes da interrupção da prova.

Na sessão da manhã, o grego Miltiadis Tentoglou sagrou-se campeão no salto em comprimento com drama à mistura, ao igualar no derradeiro ensaio os 8,41 metros do cubano Juan Miguel Echevarría, que liderou bastante tempo, mas perdeu no fator de desempate pela segunda melhor tentativa, seguido do compatriota Maykel Masso.

Já a porto-riquenha Jasmine Camacho-Quinn revelou-se mais forte nos 100 metros barreiras, ao correr a final em 12,37 segundos, um dia após ter renovado o recorde olímpico da distância para 12,26, deixando nos restantes lugares do pódio a norte-americana Kendra Harrison, recordista do mundo, e a jamaicana Megan Tapper.

Entre 22 novos títulos olímpicos atribuídos, a China somou mais cinco nas últimas 24 horas e passou a contar 29 em 62 pódios, alargando distâncias sobre os "vice" Estados Unidos (22 em 64) e o anfitrião Japão (17 em 33), sem ouros pelo terceiro dia seguido.

Na ginástica artística, foi anunciada a presença da "estrela" americana Simone Biles na final de trave de terça-feira, o último dia da modalidade em Tóquio'2020, após já ter renunciado aos eventos de salto, paralelas assimétricas e solo e aos concursos gerais, afetada por um "colapso" emocional, que a levou a desistir em plena prova por equipas.

A compatriota Jade Carey superou o erro que a tinha afastado das medalhas no salto e brilhou no solo, com 14.366 pontos, face à italiana Vanessa Ferrari, prata, e ao empate técnico entre a japonesa Mai Murakami e a russa Angelina Melnikova na luta do bronze.

Yang Liu ofereceu o primeiro título à China na ginástica masculina em Tóquio'2020, ao impor-se na final do exercício de argolas, com 15.500 pontos, ficando à frente do compatriota Hao You e do grego Eleftherios Petrounias, que vencera no Rio'2016.

Num dia em que a ginástica artística atribuiu o 1000.º "metal" de sempre, o coreano Shin Jea-hwan fez os mesmos 14.783 pontos do russo Denis Abliazin, mas triunfou no cavalo devido à dificuldade do seu salto, com o arménio Artur Davtyan a alcançar o bronze.

O ciclismo de pista arrancou com a "dobradinha" da China na prova de velocidade por equipas femininas, ao melhorar o seu próprio recorde mundial na qualificação, de 31,928 para 31,804, e bater na final a Alemanha, com a representação russa a fechar o pódio.

A ação no velódromo valeu também outro máximo mundial renovado nas preliminares da perseguição por equipas femininas, com a Alemanha a impor-se em 4.07,307 minutos, baixando a marca de 4.10,236 fixada pela Grã-Bretanha nos últimos Jogos Olímpicos.

Outra marca olímpica detida pelos britânicos desde há cinco anos foi "pulverizada" pela Dinamarca, atual recordista do mundo, nas qualificações da competição de perseguição por equipas masculinas, ao baixar de 3.50,265 para 3.45,014 minutos.

As regatas na vela tiveram de ser adiadas para terça-feira, incluindo a "medal race" na classe 49er masculina e feminina, devido aos ventos fracos em Enoshima, num dia marcado pelo arranque da natação artística e pela conclusão dos eventos de tiro.

O francês Jean Quiquampoix, "vice" no Rio'2016, impôs-se no tiro rápido de pistola a 25 metros, ao somar 34 pontos, para igualar o recorde olímpico do cubano Leuris Pupo, prata, com o chinês Li Yuehong a repetir o bronze arrebatado no Brasil há cinco anos.

Na carabina de 50 metros a três posições, o chinês Zhang Changhong estabeleceu um novo máximo mundial, de 466,0 pontos, suficientes para derrotar o russo Sergey Kamenskiy, prata pela segunda vez seguida, com o sérvio Milenko Sebic em terceiro.

A China também dominou duas categorias femininas no halterofilismo, já que Wang Zhouyu ergueu 270 quilos em 87 kg e Li Wenwen levantou 313 em +87 kg, fixando um novo recorde olímpico, numa prova em que a neozelandesa Laurel Hubbard, que é a primeira atleta transgénero a competir na história das Olimpíadas, foi desqualificada.

Contexto díspar aconteceu na despedida do badminton, uma vez que a potência asiática deslizou frente à Indonésia na final de duplas femininas, na qual a Coreia do Sul foi terceira, antes de Chen Long ser destronado pelo dinamarquês Viktor Axelsen em singulares masculinos, cujo pódio ficou completo com o indonésio Anthony Ginting.

Em equestre, a Grã-Bretanha venceu o concurso completo por equipas face a Austrália e França, numa prova que serviu de qualificação para a prova individual, conquistada pela alemã Julia Krajewski, à frente do inglês Tom McEwen e do australiano Andrew Hoy.

A luta consagrou os cubanos Luis Orta e Mijaín Lopez nas categorias masculinas de 60 e 130 kg, respetivamente, e a alemã Aline Rotter-Focken nos 76 kg femininos.

Surpresa foi o inédito apuramento do Canadá para a final do torneio de futebol feminino, na sequência dos bronzes em Londres 2012 e no Rio'2016, ao vencer por 1-0 os Estados Unidos, campeões do mundo e com um recorde de quatro ouros olímpicos, que tornaram a falhar a decisão de uns Jogos, tal como há cinco anos, quando "caíram" nos "quartos".

Na final, o Canada vai enfrentar a Suécia, que bateu a Austrália na outra meia-final.