Web Summit: atletas paralímpicos trabalham para se tornarem referências

Web Summit: atletas paralímpicos trabalham para se tornarem referências
Redação com Lusa

Norberto Mourão e Miguel Monteiro falaram sobre a experiência dos Jogos

Os atletas paralímpicos Norberto Mourão e Miguel Monteiro afirmaram hoje, na Web Summit, em Lisboa, que trabalham para conquistar os objetivos traçados, mas também para influenciarem e se tornarem uma referência para os mais jovens.

"Fui sempre lutando para conseguir ir mais longe. Não para ser uma referência para ninguém, mas para traçar os meus objetivos e conquistá-los. Esses resultados acabam por ser uma referência para os mais novos", realçou o canoísta Norberto Mourão, que conquistou a medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos de Tóquio´2020, este verão.

O jovem atleta Miguel Monteiro, que também alcançou o bronze na prova de lançamento do peso, apelou para que as pessoas com algum tipo de deficiência experimentem fazer desporto "com mente aberta", apesar dos obstáculos, muitas vezes criados pelos pais.

"O desporto paralímpico já é mais reconhecido. Prova disso é a equiparação das bolsas com os atletas olímpicos. O desporto faz muito bem à vida, não só no físico, mas no psicológico também", expressou o atleta, na parte final da palestra.

Antes, Norberto Mourão e Miguel Monteiro abordaram as suas chegadas ao desporto paralímpico de alta competição, que os transportou até ao topo das suas modalidades, e como gerem o tempo, pois, muitas vezes, a vida profissional sobrepõe-se à pessoal.

"Acabamos por sacrificar a vida pessoal por este sonho paralímpico. Saio de casa na segunda-feira, largo a família, faço 200 quilómetros até ao centro de alto rendimento de Montemor-o-Novo, estou a semana toda focado no treino e regresso a casa no fim de semana", explicou o canoísta, que perdeu as duas pernas num acidente de moto.

Miguel Monteiro, de 20 anos, estuda na universidade de Aveiro, onde gere ao máximo o tempo "para treinar sempre uma vez por dia", num quotidiano de "muito esforço".

"Desde o primeiro dia que a universidade de Aveiro se disponibilizou para me ajudar no que fosse preciso. Depois, é estar focado no que se está a fazer. Tenho a felicidade de ter um treinador, o senhor João Amaral, que está sempre lá para mim", expressou.

Norberto Mourão estreou-se este ano em Jogos Paralímpicos, depois de falhar "por muito pouco" a vaga para o Rio´2016: "As expectativas eram bastante altas e acabou por correr tudo bastante bem. É um evento completamente diferente do que já vivi. Tive pena das restrições da pandemia [de covid-19], mas espero que em Paris já não existam".

Miguel Monteiro já tinha participado no Rio´2016, onde se tornou o mais novo de sempre da comitiva, tendo terminado no quinto lugar, antes do "bronze" de Tóquio: "Fui mais maduro e com outra responsabilidade. Já queria algo mais do que o quinto lugar, foi a medalha de bronze. Podia ser melhor, mas ficámos satisfeitos".