"Surf está a fazer um grande caminho mesmo na adversidade"

"Surf está a fazer um grande caminho mesmo na adversidade"
Catarina Domingos

Francisco Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Surfistas (ANS), mostra-se orgulhoso por a Liga MEO ter conseguido regressar depois do confinamento. Competição fechou ao fim da primeira fase no último fim de semana, na Praia Grande, em Sintra, e a modalidade vai mesmo ser das poucas a conseguir coroar os seus campeões nacionais em 2020.

No dia em que a ANS revelou as datas do Renault Porto Pro (18 a 20 de setembro) e do Bom Petisco Cascais Pro (15 a 17 de outubro), o presidente Francisco Rodrigues falou a O JOGO sobre a única prova do mundo na modalidade em andamento.

Que balanço faz da primeira metade da época?

-Foi novidade fazer etapas no período de verão e tão próximas umas das outras. Tanto a Figueira da Foz, como Ericeira e Sintra apresentaram boas condições e tivemos um excelente espetáculo. Dou os parabéns aos surfistas e agradeço aos municípios, às capitanias, aos patrocinadores e a todos aqueles que estiveram ao nosso lado a possibilitar o regresso. O balanço é superpositivo, não tivemos qualquer incidência. As provas correram bem, com boas ondas e foram feitas em segurança.

As datas de Porto e Cascais vão ao encontro do anunciado pela federação, de concluir a época até finais de outubro, para prevenir uma eventual segunda vaga...

-A ANS foi parceira da federação neste processo, a nossa premissa também é terminar o mais cedo possível e tendo em conta a agenda internacional. No caso da prova do Porto, tinha de ser afastada do início, mas ser antes da prova de exibição de França e Cascais realiza-se exatamente nos primeiros dias livres, após a agenda internacional. Com três provas feitas, queria dizer que temos um mínimo para coroar campeões nacionais, se houver razões de força maior ou a realidade se alterar. O plano é cumprir com as cinco etapas, mas nós temos essa segurança: está garantido que, em 2020, vai haver campeões de surf em Portugal.

Que feedback internacional têm recebido, ao serem a única prova do mundo em andamento?

-Temos tido artigos com menções à Liga MEO e a Portugal no mundo inteiro. Na Austrália, um dos principais jornalistas da especialidade iniciou um artigo a referir a nossa competição. Já fomos falados no Brasil, Uruguai, Peru, Europa, em Espanha... A World Surf League também noticiou. É uma responsabilidade sermos um agente neste processo da retoma da atividade económica em Portugal pela via do desporto, mostrando que somos um destino seguro. Por outro lado, é muito bom ter sido possível criar condições para que os surfistas portugueses retomassem a sua atividade profissional, os seus rendimentos por via das premiações monetárias e o retorno que eles têm que dar aos seus patrocinadores. O surf português, em 2020 e na adversidade, está a fazer um grande caminho.

Como tem acompanhado a luta do título, num ano em que é possível contar com o Frederico Morais e Afonso Antunes está a afirmar-se?

-Um dos desígnios da Liga é a competição de excelência, para que haja um confronto de gerações. O Frederico Morais e o Vasco Ribeiro são os dois mais experientes, já venceram uma etapa cada, mas, há 10 anos, fizeram aos mais velhos aquilo que o Afonso está a fazer. No feminino, embora ainda não haja gerações mais novas a vencer, já aparecem nas fases finais como foi o caso agora da Gabriela Dinis, em Sintra. O tal confronto geracional existe. Assim, estamos a progredir em qualidade - os mais novos obrigam os mais velhos a serem melhores -, mas também em quantidade: passamos a ter caras da atualidade e os mais novos como candidatos ao título, alargando o pelotão dos portugueses que vão competir a nível internacional.

Público: "Já lançámos o desafio a quem de direito"

Ainda que tenha havido "pessoas que tiveram contacto com as provas, porque as praias estão abertas", a primeira metade da Liga MEO Surf foi feita sem público, o que os responsáveis querem alterar nas duas próximas etapas, tendo para isso já estabelecido contactos com as autoridades. "Lançámos o desafio a quem de direito no sentido de se pesar e se trabalhar em conjunto aspetos virados para quem visita a prova. Vai ser numa lógica de visita: o público é alguém que se senta numa bancada e fica a ver um campeonato, quem visita a prova acaba por ter uma permanência nas áreas relacionadas com a mesma de curta duração", explica Francisco Rodrigues, realçando que "há atividades positivas, como as que estão relacionadas com a sustentabilidade, que precisam de ser retomadas". "Em dois anos nós tirámos duas toneladas de resíduos e plásticas das praias de Portugal", destaca o presidente, que ainda aguarda resposta.