Perfil: uma supermulher com "pecados" de homem que já viveu várias vidas

Perfil: uma supermulher com "pecados" de homem que já viveu várias vidas
João Araújo

Conheça melhor a ministra do Estado japonês para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Aos 55 anos, dir-se-ia que Seiko Hashimoto já viveu várias vidas. No mínimo, já viveu mais do que a maioria dos comuns mortais chega a experimentar. A ministra do Estado japonês para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos desde 2019 tem um currículo impressionante que, na política, começou ao mais alto nível em 1995, quando foi pela primeira vez eleita para a Câmara dos Conselheiros, a câmara alta do parlamento nipónico. Membro do Partido Liberal Democrático, do primeiro-ministro Shinzo Abe, tem ainda as pastas da emancipação feminina e da igualdade de género, não obstante um percurso de vida extremamente... desigual.

Desde o nascimento, em Hokkaido, em 1964, que Seiko parecia destinada a algo grande - foi assim batizada por significar "bebé de ouro" e em homenagem à tocha olímpica ("seika", em japonês), que começaria a arder cinco dias depois na capital do seu país, com cujas cores começou por se destacar precisamente em Jogos Olímpicos. Cumprindo o sonho do pai (que a deixou e à mãe na maternidade para estar presente na cerimónia de abertura de Tóquio"64), participou em sete edições, quatro de inverno (Sarajevo"84, Calgary"88, Albertville"92 e Lillehammer"94) e três de verão (Seul"88, Barcelona"92 e Atlanta"96), nos primeiros como patinadora de velocidade, nos segundos como ciclista de pista, a modalidade a que recorria como treino para a patinagem.

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Hashimoto é um apelido que bem podia significar pioneirismo, pelo facto ter sido a primeira mulher japonesa em sete edições dos Jogos, a primeira a ganhar uma medalha olímpica na patinagem, a primeira a conciliar a participação olímpica com o cargo de deputado, a primeira representante da nação nipónica no parlamento a trabalhar praticamente até dar à luz (alegadamente, até duas horas antes)... Presidente da federação japonesa de patinagem, da de ciclismo e detentora de vários cargos noutras federações, em 2000 casou com um polícia - mantendo o nome de solteira -, que trouxe três filhos para um casamento que veria nascerem mais três. Foi também chefe de missão do País do Sol Nascente nos Jogos de inverno de Sochi, em 2014, em cuja festa de encerramento voltou a ser protagonista de um caso insólito, sobretudo para a tradicional sociedade japonesa, ao ser fotografada a forçar um beijo a Daisuke Takahashi, estrela nacional da patinagem artística e 21 anos mais novo. O caso teve grande repercussão, mas os advogados do patinador acabariam por referir que este não fora uma vítima e que o beijo tinha sido consentido.

Há duas semanas, Seiko Hashimoto refutou qualquer possibilidade de adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Anteontem, uma quarentena depois, foi ela a comunicar, em conferência de Imprensa, que estes serão em 2021.