Olhos postos em Pimenta e mais sete

Olhos postos em Pimenta e mais sete
Catarina Domingos

Canoagem portuguesa é uma das principais esperanças para Tóquio: Pimenta persegue a medalha que lhe falta e K4 quer surpreender.

Principal fornecedora de pódios para Portugal em mais de uma década, incluindo uma prata olímpica (Londres"2012), a canoagem portuguesa voltará a estar no centro das atenções nos Jogos de Tóquio, para os quais se apresenta com a maior comitiva de sempre, igualando os oito atletas que foram a Barcelona"1992 e ao Rio"2016. Tal como no Brasil, a equipa nacional é formada por um atleta do slalom e sete da velocidade, ainda que, desta vez, não haja representantes nas canoas.

"Temos à partida dois barcos com condições de lutar pelas medalhas. Não sabemos se vamos conseguir, mas eles lutarão por isso", disse a O JOGO o diretor técnico nacional, Ricardo Machado, referindo-se ao K1 1000 metros e ao K4 500. Se as duas embarcações chegarem ao pódio, o objetivo contratualizado entre Comité Olímpico de Portugal e o governo fica logo atingido...

Não falhando um pódio na distância olímpica desde o infortúnio no Rio de Janeiro, Fernando Pimenta volta a perseguir a única medalha que lhe falta entre as 104 que conquistou na carreira. Ao longo do ciclo, em que foi tricampeão europeu e campeão mundial, o limiano do Benfica viu surgirem novos adversários, entre eles o húngaro Balint Kopasz, apenas 10.º há cinco anos, mas atual campeão do mundo. "O Fernando tem de estar ao melhor nível para atingir um bom resultado e ele sabe disso", concordou Machado. Já em relação ao K4, o dirigente lembrou que "evoluiu imenso nos últimos dois anos". A equipa completa-se com duas canoístas em provas individuais. "Os casos de Teresa e Joana são mais difíceis, pelo histórico dos últimos anos, mas tudo é possível", diz.

A maioria da atual geração de ouro está acima dos 30 anos, mas para o responsável técnico, "este grupo ainda terá algo mais para dar à modalidade e ao país, incluindo Emanuel Silva", que vai para a quinta participação nos Jogos e... pode não ficar por aqui!

K4 renasceu em tempo recorde
Junto desde 2018, com a entrada de Baptista, o quarteto ficou perto do bronze no Mundial em 2019 e é candidato nos JO

Com a alteração das provas olímpicas no fim do Rio"2016, encurtando a prova de K4 de 1000 para 500 metros, Portugal, campeão da Europa em 2011, vice em 2013 e prata no Mundial de 2014, foi obrigado a passar por um processo de reconstrução. Em 2018, Messias Baptista juntou-se a David Varela e aos experientes Emanuel Silva e João Ribeiro, tendo estes dois de se adaptar à distância mais curta. A evolução impressionou. O grupo às ordens de Rui Fernandes ficou a 15 centésimos do bronze no Mundial de 2019. "O K4 tem progredido muito nos últimos dois anos", vincou Machado, dando como ultrapassado o problema renal que Emanuel sofreu no recente Europeu. "Queríamos ter estado no Europeu, mas temos indicadores e termos de comparação. Sabemos que estamos a fazer um bom trabalho", diz.

Partida para Tóquio a 19 de julho

Numa edição que em circunstâncias únicas, não podendo os atletas aceder à Aldeia Olímpica com mais de cinco dias de antecedência do início da competição, a equipa nacional de velocidade parte para Tóquio no dia 19, fazendo um estágio numa cidade da costa japonesa "em condições semelhantes àquelas que iremos encontrar na pista olímpica, de água salgada", segundo Machado. Até lá, o grupo de Hélio Lucas (Pimenta, Teresa e Joana) trabalha em Avis, enquanto o quarteto de Rui Fernandes está em Espanha com os vizinhos, que têm "uma das embarcações mais fortes do mundo".

Launay já está em Tóquio

Quarto representante português do slalom nos Jogos - depois de José Carvalho, Florence Fernandes e Aníbal Fernandes -, Antoine Launay aterrou no Japão no sábado, sendo o primeiro atleta da Missão a chegar ao país dos Jogos. "Foi uma opção técnica, ele já fez alguns estágios lá, gosta e a Federação Internacional tem previsto fazer um estágio na pista olímpica", explicou Machado sobre o lusodescendente, que se apurou ao ser sétimo no Mundial de 2019, em La Seu d"Urgell, onde também costuma trabalhar.