"Ninguém me obriga a dar tiros. Querendo e estando aqui, a gente faz o melhor que consegue"

"Ninguém me obriga a dar tiros. Querendo e estando aqui, a gente faz o melhor que consegue"
Redação com Lusa

João Costa antecipa "ciclo muito mais difícil" no apuramento do tiro para Paris'2024.

O atleta olímpico João Costa antecipa um "ciclo muito mais difícil" de apuramento no tiro para Paris'2024, por ser mais curto, pela redução de uma disciplina e por regras da federação internacional a que deixa críticas.

"Este é mais curto em um ano. No tiro, começa em agosto. A primeira prova de qualificação será nos Mundiais do Cairo, em outubro, e o processo mudou todo", diz à Lusa o atleta olímpico, na Vila dos Jogos do Mediterrâneo Oran'2022.

João Costa "atira" ao presidente da federação internacional, o russo Vladimir Lisin, e ao secretário-geral da mesma instituição, Alexander Ratner, agora presidente da confederação europeia, por terem "ideias estranhas em relação ao tiro".

"Mudam as regras de prova para prova. Vamos fazer a final, uma prova, e só sabemos as regras da prova na véspera, porque vamos perguntar. Se não, não sabíamos. Já disse ao treinador que nem quero saber. Venho fazer os tiros", conta.

Tanto Lisin como Ratner foram instados a abandonar os cargos em abril, devido à guerra na Ucrânia, embora nenhum esteja na lista de sanções aplicadas a oligarcas russos.

Ambos receberam cartas de mais de uma dezena de federações nacionais, visando sobretudo Lisin, de 65 anos, um magnata do metal, como presidente e acionista maioritário da Novolipetsk, uma das quatro maiores empresas do setor na Rússia, com uma fortuna estimada pela Forbes em 24,4 mil milhões de euros.

Sem quotas nas Taças do Mundo, como até aqui, "agora só são atribuídas no campeonato da Europa e do mundo, no "ranking", obrigado as pessoas a ir a todas as provas".

"Mas há países que não o conseguem fazer por razões monetárias, incluindo Portugal. Temos provas na China ou Filipinas, que nunca lá fomos, ou Cairo", lamenta.

Para a realidade portuguesa, "fazer viagens dessa envergadura é complicado", porque há atletas que precisam de pedir requisição às entidades patronais, tornando tudo mais difícil.

O apuramento para Paris'2024, então, será "muito mais difícil" para Portugal, "porque as quotas são distribuídas de maneira diferente". "Vai implicar ou muito esforço da federação, ou muita sorte, é o que eu penso", refere.

Ainda assim, a motivação continua, porque sem isso "não estava aqui".

"Ninguém me obriga a dar tiros. Querendo e estando aqui, a gente faz o melhor que consegue", atira.

João Costa, de 57 anos, conseguiu já dois diplomas olímpicos para Portugal em Jogos, com o sétimo lugar em Sydney2000, na estreia, e depois em Londres'2012, com o mesmo resultado.

Pelo meio, passou por Atenas'2004 e Pequim'2008, tendo ido igualmente ao Rio'2016 e falhando Tóquio'2020.

Em Oran2022, o atirador ficou em nono no concurso individual e, ao lado de Joana Castelão, falhou a final por equipas mistas.

Os Jogos do Mediterrâneo Oran'2022 arrancaram a 25 de junho e decorrem até quarta-feira, com mais de três mil atletas de 26 países diferentes, incluindo 159 portugueses em 20 disciplinas.