Mais de duas dezenas de ex-ginastas gregos alegaram abusos sofridos durante anos

Mais de duas dezenas de ex-ginastas gregos alegaram abusos sofridos durante anos
Redação

Um grupo de 22 antigos ginastas da Grécia, composto por homens e mulheres, enviaram uma carta, esta quarta-feira, à presidente do país Katerina Sakellaropoulou e ao primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis na qual alegam que sofreram abusos de treinadores.

Além das duas maiores figuras do país europeu terem recebido a missiva escrita conjuntamente pelos antigos desportistas, também as próprias autoridades desportivas gregas foram destinatárias da mesma.

O conteúdo da carta foi, entretanto, revelado diário helénico EfSyn. Nela, vêm descritos relatos dos ex-ginastas, cujos nomes são desconhecidos, sobre "práticas duras e abusivas", que remontam a 1985, entre as quais jejum forçado, castigos psicológicos e assédio sexual.

"Pela primeira vez, há um grito de protesto de um grande número de antigos atletas de ginástica sobre abusos psicológicos e físicos, expresso em massa", afirmou o advogado dos referidos 22 ex-desportistas, Alexandros Adamidis, ao EfSyn.

A carta assinada pelo grupo de homens e mulheres refere também que os respetivos treinadores à época lhes batiam, pontapeavam, empurravam e atiravam objetos nas sessões de treino. Algumas raparigas terão sido puxadas pelos cabelos e pelas virilhas.

Por vezes, refere o diário helénico EfSyn, mediante o conteúdo a que teve acesso, os treinadores causaram eventuais lesões por retirarem tapetes de proteção e que os ex-atletas, na altura petizes, eram obrigados a treinar debilitados.

Como castigo, os antigos desportistas alegaram que treinavam em temperaturas extremas e que lhes eram negadas idas à casa de banho. Alguns passaram fome dado o rigor no controlo de peso. Outros comeram pasta dentífrica ou restos de comida diretamente do lixo de hotéis.

Em reação à carta conjunta pública, o líder da federação de ginástica da Grécia, Thanassis Stathopoulos, demonstrou solidariedade para com os ex-atletas, garantiu que convocou uma reunião de direção para debater o sucedido e, inclusive, analisar os relatos.

"Estamos ao lado dos [antigos] atletas. Vamos avançar com total confidencialidade e avaliar o peso de cada alegação", afirmou o dirigente desportivo.