Judoca ucraniano vive num bunker oito meses após Tóquio'2020: "Não vou sair..."

Judoca ucraniano vive num bunker oito meses após Tóquio'2020: "Não vou sair..."
Redação com Lusa

O judoca ucraniano, de 34 anos e nascido na Geórgia, campeão mundial em 2009, além de muitas mais medalhas em campeonatos do mundo, e tricampeão europeu, revelou que passa muitos dos seus dias num bunker na capital da Ucrânia.

O judoca ucraniano Georgii Zantaraia, que competiu nos Jogos Olímpicos de Tóquio'2020, assinalou que isso "parece ter acontecido numa outra vida", num momento em que precisa de se esconder numa cave em Kiev.

"Há um mês tudo parecia normal. Os adultos iam trabalhar, as crianças para a escola ou brincavam nos parques, com os avós. Os judocas treinavam nos seus dojos. Hoje, nada é como era", lembrou Zantaraia, em entrevista à União Europeia de judo.

O judoca ucraniano, de 34 anos e nascido na Geórgia, campeão mundial em 2009, além de muitas mais medalhas em campeonatos do mundo (uma prata e quatro bronzes), e tricampeão europeu, revelou que passa muitos dos seus dias num bunker na capital da Ucrânia.

Zantaraia vive nos difíceis tempos de guerra, desde que a Rússia invadiu o país, juntamente com 10 amigos, depois de a sua mulher e os dois filhos terem fugido para a Polónia, para estarem em segurança.

"Não vou sair até acabar", adiantou à União Europeia de Judo (UEJ) o judoca, que, em outubro, foi eleito para a Câmara de Kiev pelo partido Servo do Povo, o mesmo de Volodymyr Zelensky, o presidente da Ucrânia.

Na conversa com a UEJ, o judoca acrescentou que qualificar a situação de "terrível" é o mínimo.

"No mínimo. Todos estão armados. Estamos a defender a nossa cidade, o nosso país. Mas não queremos mais nada do que paz, é a nossa casa e muitos de nós não temos para onde ir. Gentilmente, peço a toda a comunidade desportiva para nos ajudar. Façam doações, precisamos mesmo de ajuda", adiantou.

Um apelo reforçado pela UEJ, com o organismo do judo europeu a estabelecer uma angariação de fundos na sua página, a serem entregues à Federação ucraniana da modalidade.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia, que matou pelo menos 1.232 civis, incluindo 112 crianças, e feriu 1.935, entre as quais 149 crianças, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra provocou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas, incluindo mais de quatro milhões de refugiados em países vizinhos e quase 6,5 milhões de deslocados internos.

A ONU estima que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.