Triatlo: federação quer mudar regulamento devido à desclassificação do Benfica

Triatlo: federação quer mudar regulamento devido à desclassificação do Benfica

Presidente da Federação de Triatlo de Portugal considera que a desclassificação da estafeta mista do Benfica no Nacional, por João Pereira ter terminado sem dorsal, "altera a verdade competitiva".

A Federação de Triatlo de Portugal (FTP) anunciou que vai propor alterações ao regulamento técnico para evitar casos como o que originou a desclassificação do Benfica no Nacional de estafetas mistas, no domingo, em Portimão.

"Perante a convicção de que a desclassificação da equipa do Benfica altera a verdade competitiva, a FTP propõe-se a fazer as devidas adaptações ao regulamento técnico, de forma a salvaguardar que o cumprimento desta regra tenha por fim exclusivo salvaguardar o princípio que está na sua génese, e estender esta reflexão aos agentes desportivos da modalidade, para que o triatlo mantenha as suas características vitais de 'fair play' e camaradagem", lê-se no comunicado assinado pelo presidente federativo, Vasco Rodrigues.

Os encarnados foram os mais rápidos entre as 22 equipas, mas foram penalizados com desclassificação de João Pereira, o último dos elementos da formação lisboeta, que bateu ao sprint Alexandre Nobre (Portugal Talentus), mas terminou sem o dorsal de identificação, o que, segundo o ponto 4.4 do atual regulamento, é punido com a desclassificação.

No caso das estafetas é ainda considerado que, "para passar o testemunho, os atletas terão efectivamente de passar ao próximo atleta a competir os elementos de identificação da equipa (dorsal e chip), dentro da zona de transmissão".

Com a desclassificação do Benfica, a Portugal Talentus conquistou o título nacional, à frente do CN Torres Novas, segundo classificado, ambos com lugar assegurado na Taça dos Clubes Campeões Europeus de estafetas mistas, a disputar em outubro, em Lisboa, prova que encarnados conquistaram em 2017, sendo terceiros no ano passado. Em terceiro lugar terminou o Olímpico de Oeiras.

"Considerando que a ausência de dorsal em nada beneficia a prestação do atleta, e que todos os anos há inúmeras situações de atletas que perdem o seu dorsal, sem por isso serem desclassificados, é nosso entender que esta situação não deveria ser exceção. Contudo, face à reclamação de alguns agentes desportivos, a norma não prevê margem de apelo", explicou Vasco Rodrigues.

O presidente da FTP esclareceu ainda que "a obrigatoriedade do uso de material de identificação (touca, dorsal e número de bicicleta) tem por princípio otimizar os processos de classificação, arbitragem e segurança". Este caso, no entanto, será diferente. "Se numa prova individual, algumas delas com mais de 500 atletas, com atletas estreantes e 'desconhecidos', a FTP consegue identificar e classificar atletas sem dorsal, mais fácil se torna numa prova por equipas, com 80 participantes, e tratando-se de um atleta olímpico. Ou seja, no Triatlo de Portimão não foi violado ou posto em causa o princípio que está na base da criação da regra e, portanto, a desclassificação da equipa do Sport Lisboa e Benfica prende-se com questões que fogem ao espírito da regra", escreveu Vasco Rodrigues.