Premium Taekwondo: volta ao mundo pelos pontos

Taekwondo: volta ao mundo pelos pontos
Carlos Flórido

Qualificação olímpica leva Rui Bragança e Júlio Ferreira a fazer mais de uma dúzia de viagens anuais

A qualificação olímpica do taekwondo é a mais ingrata entre as modalidades dos Jogos. Só são apurados 16 atletas por categoria de peso e estas são apenas quatro, resultando da fusão das oito habituais. Para os atletas, são fundamentais os cinco primeiros lugares do ranking olímpico, atendendo a que, no caso dos europeus, só restarão mais três vagas em torneios de apuramento. Júlio Ferreira, atleta do Braga dos -80 kg é décimo nessa tabela, e Rui Bragança, do Benfica, é 15.º nos -57 kg, sendo os portugueses com mais possibilidades de ir a Tóquio"2020. Para isso, vivem numa constante volta ao mundo, em busca dos pontos nas provas.

"Este ano faltou-nos Austrália e América", ri-se Bragança, ao perceber que nos últimos dez meses esteve em outros tantos países e ainda irá competir no Dubai. "O nosso objetivo é estar entre os cinco primeiros do ranking, mas a qualificação só termina em dezembro de 2019. Como vamos descontando pontos dos dois anos anteriores, estamos bem a tempo", diz o atleta do Benfica, que tendo 169 pontos está a quase 100 do top 5: "Sendo muito difícil, pois é preciso estar melhor do que os adversários diretos, não é nada impossível. Ganhar o Mundial vale 120 e um Grand Prix dá 40."

Bragança, que já não vencia desde o título europeu de 2016, voltou a saborear o ouro no passado domingo, na Roménia. "Já lá iam quase dois anos... Foram muitos segundos e terceiros, faltando ou um bocadinho de sorte, ou o lado físico ou o psicológico", diz, lembrando a curiosidade de ter Júlio Ferreira como "treinador", pois só foram os dois a Bucareste. "Tem acontecido. Vestimos o fato à vez e vamos para a cadeira. Nós somos treinados para sermos autónomos", explica, depois de o bracarense ter sido eleito... melhor treinador do torneio.

Júlio Ferreira, que foi segundo na mesma prova, regressou a Portugal, foi às aulas e já partiu ontem para a Croácia, onde tem nova prova. "Não somos como os tenistas, que saltam de uma competição para a outra, mas também não descansamos. E quanto aos voos e qualidade dos hotéis, quem nos dera ser como eles...", suspira Bragança.

Os internacionais do taekwondo têm competido, recebendo apoios diretos do Comité Olímpico de Portugal (COP), pois a sua federação não tem dinheiro e ainda no mês passado o Tribunal Arbitral do Desporto anulou a reeleição do presidente José Luís Sousa. "Espero que alguém tenha a coragem de salvar esta federação, que tem atletas no topo mundial e nem quer saber deles", desabafa Rui Bragança, que gostava de não ter preocupações com as viagens, nas quais os atletas continuam "muito poupados".