Frederico Morais quer melhorar classificação no circuito mundial de surf

Frederico Morais quer melhorar classificação no circuito mundial de surf
Redação com Lusa

Frederico Morais assumiu esta quinta-feira a ambição de melhorar o desempenho no circuito mundial de surf, cuja edição de 2022 arranca no sábado, no Havai, admitindo que o cut, a meio do ano, causa ansiedade.

Aos 30 anos, o surfista português vai iniciar a quinta temporada no circuito mundial de surf, após ter terminado a época de 2021 no 10º lugar, superando a melhor classificação de um português na competição, que já estava na sua posse desde 2017, quando, no seu ano de estreia, terminou no 14º posto.

"Agora, sem dúvida, o objetivo é sempre melhorar, alcançar sempre mais. Mas, este ano, com este novo formato, o cut a meio do ano causa alguma ansiedade, algum nervosismo. Primeiro, quero focar-me em ultrapassar esta fase e depois pensar no resto", afirmou o surfista natural de Cascais.

Após cinco das dez etapas do circuito mundial, que regressa às ondas portuguesas e a Peniche, entre 3 e 13 de março, o número de surfistas vai ser reduzido dos atuais 36 para 24, para as derradeiras cinco provas, que antecedem as finais, marcadas entre 8 e 16 de setembro, em Trestles, nos Estados Unidos, onde, pelo segundo ano seguido, os cinco primeiros da hierarquia vão lutar pelo título mundial.

Este ano, a competição volta a começar no Havai, com Pipeline e Sunset Beach, relegando as provas da Austrália para abril, e encurtando um calendário que prevê a estreia de El Salvador, em Punta Roca, na sétima etapa.

"El Salvador é uma onda em que já competi no circuito de qualificação. No ano passado, estivemos lá com a seleção nacional, mas foi noutra onda. Esta é, supostamente, muito melhor e são essas as memórias que tenho dela. Tem tudo para ser um ótimo espetáculo e um bom campeonato", descreveu Kikas.

Analisando o calendário, o português não encontrou grandes diferenças, por serem mudanças sobretudo nas datas das provas, que se realizam em sítios já conhecidos, mas proporcionando mais tempo de treino ou lazer.

"Com estas mudanças, o circuito acaba mais cedo e permite-nos fazer mais viagens para treinar tecnicamente o surf nas ondas em que queremos ou precisamos, ou passar mais tempo em casa, com a família, uma vez que passamos o ano todo a viajar", reconheceu.

Frederico Morais ainda procura a primeira vitória no circuito mundial, depois de ter chegado à final em Jeffreys Bay, na África do Sul, em 2017, e às meias-finais no Rio de Janeiro, em 2019, e em Narrabeen, na Austrália, no ano passado.

"Adorava conseguir prever essa vitória, mas não consigo. Sem dúvida que é um sonho e um objetivo. Não sei se vai ser em 2022 ou daqui a alguns anos, não faço ideia, mas posso garantir que o trabalho é feito e o objetivo está lá. Agora é conseguir unir tudo numa etapa, e fazer acontecer. Já estive muito perto, numa final, numas meias-finais...acredito que seja possível", realçou.

Instado a escolher o local para sair em ombros da água, Kikas não hesitou: "Se pudesse escolher, claramente que seria em Peniche, em frente aos portugueses, em casa. Ia ser uma vitória muito, muito especial para mim".

A próxima oportunidade para o triunfo na Praia de Supertubos vai ocorrer em março, após 11 edições disputadas em outubro, desde 2009 - o circuito de 2020 foi cancelado devido à pandemia de covid-19 e a etapa de 2021 adiada -, numa mudança que Frederico Morais considera positiva.

"Acho que o agendamento, em termos de previsões, é favorável, a probabilidade de apanharmos melhores ondas é bem maior nesta nova data. Competir em casa logo no início do ano vai saber bem, vai ser bom, sem dúvida alguma", explicou.

Depois da retoma dos circuitos em 2021, após a suspensão em 2020 devido à pandemia de covid-19, com quarentenas obrigatórias na Austrália, o cancelamento de etapas e também a sua exclusão da Missão de Portugal aos Jogos Olímpicos Tóquio'2020, Frederico Morais espera um ano mais calmo.

"Espero que seja uma época mais tranquila, que não seja preciso cancelar nenhum campeonato, nem nenhum evento, mas, lá está, só o tempo o dirá. Até lá, é respeitar e cumprir o que temos de cumprir", concluiu.