Premium Das matinés de sangue e futebol aos meninos de Peshawar

Das matinés de sangue e futebol aos meninos de Peshawar
José Manuel Ribeiro

#desportoemtempodeguerra >> Depois de 25 anos a combater os russos, vieram os talibãs e o estádio Ghazi, repartido, às sextas-feiras entre o futebol e a carnificina. Entretanto, nos campos de refugiados do Paquistão, nascia uma genial geração de críquete

Num curto vídeo, filmado por um telemóvel, vemos um grupo de combatentes talibãs em animada discordância. Têm as barbas como manda a etiqueta e cada um a sua kalashnikov pendurada do ombro esquerdo, mas não percebemos o que dizem, porque estão a falar pashtun. Só no final nos é explicado que debatiam as convocatórias da seleção afegã de críquete e não qual deles será o próximo bombista suicida. Poucas guerras duraram tanto e foram tão violentas como as do Afeganistão. Entre a invasão russa e o conflito civil que veio a seguir contaram-se 30 anos de torturas, proibições e perseguições que, apesar do esforço, não conseguiram matar o desporto.