COI "entende e respeita" boicote diplomático dos Estados Unidos a Pequim'2022

COI "entende e respeita" boicote diplomático dos Estados Unidos a Pequim'2022
Redação com Lusa

País, cuja tomada de posição se deve à oposição à falta de respeito pelos direitos humanos na China, apenas será representado por atletas

O boicote diplomático dos Estados Unidos aos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim2022 é "entendido e respeitado" pelo Comité Olímpico Internacional (COI), mais focado na presença dos "melhores desportistas do mundo" no evento.

"Pedimos aos políticos o máximo respeito pela nossa independência. Conhecemos a decisão dos Estados Unidos, que entendemos e respeitamos, como faríamos com qualquer outro país. Só podemos dizer que estamos felizes, porque os melhores atletas do mundo vão estar na Aldeia Olímpica e participarão nos Jogos daqui a 59 dias", disse Juan Antonio Samaranch, presidente da comissão de coordenação do COI.

Argumentando a falta de respeito pelos direitos humanos na China, os Estados Unidos anunciaram, na passada segunda-feira, um boicote diplomático, mantendo "total apoio" aos seus atletas que estarão em competição.

A situação humanitária da tenista chinesa Peng Shuai, cujo paradeiro e situação de saúde inspiram dúvidas, depois de esta ter denunciado, nas redes sociais, abusos sexuais do antigo vice-primeiro ministro Zhang Gaoli, também foi abordada na videoconferência.

O COI desconhece o motivo pelo qual a atleta continua em lugar incógnito e sem falar com os que lhe são próximos e garante que não está a pactuar com as autoridades chinesas no silêncio da desportista.

"O mais importante é ajudá-la a resolver os seus problemas. Queremos focar-nos no seu bem-estar e esperamos que os resultados apareçam em breve. Que possamos vê-la e partilhar alguns momentos com ela em Pequim muito em breve", desejou o dirigente espanhol.

Há algumas semanas, o COI manteve uma videoconferência com Peng Shuai, na qual o organismo a encontrou "aparentemente bem", mas a tenista continua sem poder ser localizada: entretanto, mais firme, o circuito feminino de ténis (WTA) cancelou todas as competições previstas para a China.

Em relação aos possíveis efeitos da pandemia da covid-19, que já condicionou Tóquio2020, adiado em um ano e que decorreu sem publico, Samaranch confia que tal não será necessário agora na China.

"Estamos muito confiantes. Estamos preparados para qualquer contingência", afirmou, referindo-se ao evento que vai decorrer entre 04 e 20 de fevereiro do próximo ano.