Benfica fala em "grave conduta" do presidente da Federação de Judo

Benfica fala em "grave conduta" do presidente da Federação de Judo

Clube da Luz pede "sentido de responsabilidade" e atira-se a um conjunto de decisões "inadequadas e irresponsáveis".

O Benfica emitiu esta sexta-feira um comunicado em que tece duras críticas a Jorge Fernandes, presidente da Federação Portuguesa de Judo (FPJ), alegado autor de "várias intervenções públicas e privadas e de decisões injustificáveis".

O clube da Luz aponta a várias situações, como a inviabilização da inscrição da judoca Rochele Nunes no Grande Prémio de Tashkent e a dispensa do treinador Go Tsunoda no decorrer do último Mundial da modalidade, antes da participação de Telma Monteiro.

O Benfica promete levar o assunto "até às últimas consequências, estando a ser avaliada a possibilidade de recorrer aos tribunais" e refere-se ao comunicado como uma "exposição formal" à secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, ao IPDJ e ao COP.

Leia o comunicado do Benfica na íntegra:

"Na sequência de várias intervenções públicas e privadas e de decisões injustificáveis de Jorge Fernandes, presidente da Federação Portuguesa de Judo (FPJ), que classificamos de inadequadas, irresponsáveis e não condizentes de todo com aquilo que deveria ser o desempenho da respetiva função num organismo de utilidade pública e na defesa de uma das modalidades que mais tem engrandecido o país, o Sport Lisboa e Benfica informa que vai enviar uma exposição formal à Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, ao IPDJ e ao Comité Olímpico de Portugal (COP) sobre esta grave conduta.

Para se estar no desporto não basta repetir incessantemente, com tempos verbais na primeira pessoa do singular, que se detém e exerce o poder. Pelo contrário, o sentido de responsabilidade, a capacidade de escuta, o respeito pelo papel dos clubes e uma estratégia que dê condições fundamentais aos atletas deve ser a prioridade. Em contraponto com um ambiente de permanente conflito junto dos judocas de maior potencial.

Com a contagem decrescente a acelerar para Tóquio 2020, decidiu este dirigente, numa atitude lamentável, esquecer a ação de gerir e passar à de gerar... uma série de conflitos. Serão muitos os factos dados a conhecer às entidades competentes, mas algumas questões tornamos públicas:

- estando a participação prevista e a verba orçamentada na Bolsa do COP, por que razão não foi realizada nem viabilizada - a expensas próprias - a inscrição da judoca Rochele Nunes no Grand Prix de Tashkent? Perdeu-se a possibilidade de a atleta somar, este fim de semana, no Uzbequistão, 700 pontos para o ranking olímpico. Qual foi o critério para não se cumprir uma prova que está no plano de atividades do COP?

- por que foi dispensado o treinador Go Tsunoda no decorrer do último Mundial, em vésperas da participação de Telma Monteiro, em prejuízo da atleta detentora da única medalha olímpica nos Jogos do Rio'2016?

- por que se arroga tantas vezes de ser "o presidente eleito"? Por ter sido escolhido em eleições, pode impor-se tanto ao bom senso como a outros responsáveis federativos, técnicos ou regulamentos da FPJ?

- por que está a ser imperativa a imagem de um patrocinador da FPJ num espaço do judogui que é para estar à disposição dos atletas?

- por que é proibida a ostentação do emblema dos clubes no espaço que é da responsabilidade e interesse "comercial" dos atletas?

- é possível justificar intervenções junto de treinadores e atletas, com voz alta e grave, em que se exclama este teor: "a federação está acima de todos, incluindo o COP e os clubes"? É assim que se gere a elite do judo nacional?

Ao Estado e ao Comité Olímpico competirá também analisar se este é o estilo de dirigente que, em pleno século XXI, deve decidir quais as expectativas e calendários de alguns dos melhores praticantes de judo atualmente em Portugal.

O Benfica levará este assunto até às últimas consequências, estando a ser avaliada a possibilidade de recorrer aos tribunais para que sejam repostos os prejuízos materiais e de imagem do Clube e seus atletas, assim como a legitimidade desta federação em ostentar o estatuto de utilidade pública.

Reiteramos que como entidade que se distingue pelo seu elevado investimento na formação de jovens e na alta competição em diversas modalidades, o Sport Lisboa e Benfica continuará de forma intransigente a defender as boas práticas e o diálogo saudável no relacionamento entre federações, clubes e atletas, para que nunca por nunca se esgotem oportunidades nem se desperdice potencial.

O desporto português, felizmente pejado de bons exemplos de resiliência com resultados positivos, assim o aconselha."