Tatuagens de pugilista italiano geram controvérsia: "São obscenas. Não há justificação"

Em 2017, o governo italiano introduziu uma lei que proíbe todos os símbolos fascistas e nazis, mas não conseguiu obter a aprovação de ambas as câmaras. O caso Broili reabriu o debate.

O combate por um dos títulos de campeão italiano de boxe acabou com a vitória de Hassan Nourdine e a derrota de

Michele Broili, mas a notícia rapidamente de ser o resultado.

Nourdine, pugilista italiano de 34 anos nascido em Marrocos, ganhou por decisão unânime a Broili, que exibia várias tatuagens com símbolos nazis. Um pormenor de máxima importância que desviou os holofotes para o derrotado. Perante os factos, as autoridades desportivas italianas procuram agora como foi possível que um pugilista com tatuagens que incluía uma bandeira SS fosse um atleta reconhecido pela Federação Italiana de Boxe Profissional.

"Quando entrei no ringue e vi aquelas tatuagens, fiquei chocado", disse Nourdine. As tatuagens de Broili com tal simbologia extremista eram várias: o número 88, um código numérico supremacista branco representando 'Heil Hitler'; o 'totenkopf', um símbolo da unidade paramilitar que ajudou a dirigir campos de concentração na Alemanha nazi; e o logótipo de uma organização skinhead. Antes da luta, Broili também fez a saudação fascista aos seus companheiros.

"Achei essas tatuagens obscenas. Não há justificação", explicou Nourdine, que vive em Asti, na região do Piemonte. "A Federação Italiana de Boxe deveria ter-se apercebido desde o início que este pugilista tinha tais simpatias. O incitamento ao ódio é punível por lei", acrescentou.

A Federação Italiana de Boxe disse que tomará medidas, mas também não conseguiu justificar o facto de terem sido necessárias 16 lutas - o número de lutas que Broili tem travado profissionalmente - para agir. De acordo com relatos da imprensa italiana, a polícia e o Ministério Público de Trieste estão a considerar a abertura de uma investigação criminal.

Em 2017, o governo italiano introduziu uma lei que proibir todos os símbolos fascistas e nazis, mas não conseguiu obter a aprovação de ambas as câmaras. O caso Broili reabriu o debate.