Murros, pontapés e uma mota desligada marcam a polémica carreira de Romano Fenati

Murros, pontapés e uma mota desligada marcam a polémica carreira de Romano Fenati

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

António G. Rodrigues

Tópicos

Piloto número 13 selou a própria sorte no domingo

O mau feitio terá custado uma carreira promissora a Romano Fenati. O piloto italiano da Marinelli Snipers, que fora despedido na segunda-feira, depois do gesto que teve no domingo para Stefano Manzi no Grande Prémio de San Marino - perdendo também o contrato que já tinha assinado para o próximo ano com o construtor italiano MV Agusta - anunciou esta terça-feira que não correrá mais no Mundial . "Nunca mais será o meu mundo. Demasiado injusto. Terminei o Mundial e não voltarei a correr", garantiu em entrevista ao jornal "La Reppublica". Neste mesmo dia, a Federação Italiana de Motociclismo decidiu tirar, ainda que de forma cautelar, a licença desportiva ao piloto de 23 anos, impedindo-o de praticar qualquer atividade motorizada. A organização considerou os factos graves e, por isso, aceitou a solicitação do Ministério Público federal para suspender Fenati.

Este será o foi o ponto mais baixo da carreira do piloto italiano, de 22 anos, conhecido mais pelo mau feitio do que propriamente pelos bons resultados, apesar do talento que lhe é reconhecido e que lhe valeu o vice-campeonato de Moto3 em 2017. Fenati ainda se desculpou depois do anúncio do primeiro despedimento e das duas corridas de suspensão de que foi alvo. "Foi uma atitude lamentável. Nesse momento não fui um homem", admitiu, para logo a seguir lembrar que no ano passado foi "dos poucos pilotos" que não sofreram penalizações.

Mas essa época será a exceção de uma regra de feitio intempestivo que já lhe valera o despedimento da equipa Sky VR46, de Valentino Rossi, há dois anos. Aconteceu durante o GP da Áustria, por "mau comportamento" e "conflito com os valores da equipa". Essa foi a versão oficial, porque o que de facto aconteceu é que Fenati se envolveu numa troca de murros com o técnico de suspensões, antes de agredir Uccio Salucci, coordenador da equipa e melhor amigo de Valentino Rossi. "Queríamos ajudá-lo, porque tem um grande talento. Queríamos torná-lo um piloto profissional, mas, infelizmente, tivemos de desistir", lamentou Rossi, na altura.

Um ano antes, já na equipa do nove vezes campeão do mundo, Fenati pegara-se com Niklas Ajo, filho do dono da equipa onde atualmente corre Miguel Oliveira, durante a sessão de aquecimento do GP da Argentina. Fenati pontapeou Ajo quando seguiam a baixa velocidade. Pouco depois, com vários pilotos alinhados para treinar o arranque, o italiano deitou a mão à mota do finlandês e desligou-a. Foi penalizado com três pontos na licença.

Agora, dificilmente encontrará no futuro outra equipa que aceite acolhê-lo, curiosamente situação semelhante à de Héctor Barberá, em junho. O espanhol foi apanhado, pela terceira vez, a conduzir sob o efeito do álcool e a equipa de Sito Pons não perdoou: despedimento imediato.

O caso de Fenati será um dos mais graves da história do Mundial de Velocidade, que já teve outras carreiras perdidas por mau comportamento. O mais famoso foi o caso de Anthony Gobert, piloto australiano, que venceu a primeira corrida em que participou como convidado, no Mundial de Superbikes. Atingindo a antiga classe de 500cc (atual MotoGP), foi despedido por consumir marijuana.