Fúria na Fórmula 1: Mercedes quer correr para "a merda parar"

Fúria na Fórmula 1: Mercedes quer correr para "a merda parar"
Carlos Flórido

Tópicos

Toto Wolff, engenheiro-chefe da equipa de Lewis Hamilton dispara em várias direções, principalmente contra quem fala muito.

Toto Wolff, CEO da equipa Mercedes AMG, de Fórmula 1, está furioso com a falta de união, o egoísmo e as declarações de alguns dirigentes da modalidade durante a pandemia de covid-19. Já antes andava zangado com a postura de alguns concorrentes na discussão da redução do teto orçamental e na negociação do novo Pacto de Concórdia. Ele que tão crítico é da profusão de opiniões e de entrevistas dos responsáveis de outras equipas, desta vez decidiu falar e usou termos duros.

"Uma vez que bandeira caia, a merda detém-se. A merda pára no mesmo momento e todas estas entrevistas e todas as opiniões dadas tornam-se irrelevantes". Foi assim, sem medir as palavras, ou então medindo-as muito bem, que Wolff falou à "ESPN" sobre o momento na Fórmula 1.

"Estou neste desporto desde 2009, com a Williams [primeira equipa], e nunca tinha visto tanto oportunismo e tanta manipulação", disse. "Há aspetos do desporto que questiono e, às vezes, o desporto em si converteu-se apenas em música de fundo, já não é o foco principal. Aprendi muito sobre várias pessoas e o que há agora é um ambiente altamente político, no qual todos tentam obter um benefício. Diria que estes últimos seis meses foram os momentos mais políticos desde que cheguei à Fórmula 1".

Irónico, Toto Wolff mistura sentimentos a propósito da paragem pelo coronavírus. Quer muito voltar às corridas mas esteve muito bem sem elas. "Em certo sentido o confinamento foi bom porque não tive de lidar com certas pessoas. Por outro lado, pôde ver-se claramente que sentiam necessidade de falar através da comunicação social".

Os mais ativos neste aspeto têm sido Christian Horner (Red Bull), Ross Brown (diretor técnico da F.1, depois de passar por várias equipas como engenheiro) e Mattia Binotto (engenheiro-chefe da Ferrari), mas Wolff não nomeou qualquer deles.

"No final, já sabes, tudo isso (declarações) é irrelevante. Se amamos o desporto é porque tudo se reduz ao rendimento. Uma vez que a bandeira caia, a merda detém-se", concluiu, esperando calar de vez os desbocados com os resultados seus carros.