Dakar'2017: em busca da aventura pedida

Dakar'2017: em busca da aventura pedida
António G. Rodrigues

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Altitude, mais areia, mais navegação e uma relação de forças mais equilibrada... a juntar à força nos automóveis são fatores que prometem baralhar tudo. Entre os favoritos, estão portugueses.

Não é a cópia do lema olímpico do Barão de Coubertin, mas a organização do Dakar promete a edição "mais alta e mais dura" do que todas as anteriores. Depois de um ano em que os pilotos se queixaram da falta de areia e navegação e acusaram o excesso de pistas de rali, Marc Coma, diretor desportivo da prova, delineou um traçado que vai exigir muito mais das capacidades físicas dos pilotos e mesmo das máquinas. Sem possibilidade de ir ao Peru e ao Chile, locais que, desde 2009, representavam as dunas e a areia do Dakar sul-americano, a organização apostou na Bolívia que, pela primeira vez, acolhe cinco etapas, todas acima dos três mil metros de altitude (o pico atinge-se aos 4900 metros). Se no passado alguns dos favoritos sofreram com o mal da altitude (dores de cabeça e desorientação), os efeitos poderão ser ainda mais devastadores neste ano. Por isso, têm sido vários os pilotos a aviarem-se em terra. Foi o caso de Paulo Gonçalves, que comprou mesmo uma tenda de hipoxia para se ambientar às condições da montanha antes de partir para o Paraguai, de onde partirá a caravana pela primeira vez, já amanhã. A somar a isso, a areia anunciada situa-se precisamente em território boliviano, o que implica esforço físico redobrado.

Mas também as máquinas sofrem com os metros acima do mar. Com menos oxigénio disponível para os motores, há menos potência nas máquinas. Para compensar as diferenças de rendimento, a organização permitiu uma admissão dois milímetros mais larga aos carros a gasolina (como os Toyota), limitando-a em um milímetro nos carros turbo-diesel (como os Peugeot, que dominaram a edição passada). Há quem diga que isso pressupõe uma vantagem de 90 cavalos para a Toyota face aos rivais.

Na navegação, introduziu-se uma alteração. Haverá um ponto de passagem obrigatória secreto, que só é desbloqueado quando os pilotos se aproximam até um raio de 300 metros (antes eram 800). Quem abrir a pista terá dificuldades acrescidas, o que poderá fazer aumentar o peso da estratégia de dia para dia.