Lucas Martinez: a arma secreta da Oliveirense

Lucas Martinez: a arma secreta da Oliveirense
Ana Catelas

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Avançado é o suplente goleador do campeonato nacional de hóquei em patins, que vai na oitava jornada e esteve um mês parado, devido à participação da seleção no Europeu.

Com 12 golos apontados à passagem da 8.ª jornada, Lucas Martinez é o melhor marcador da Oliveirense, sendo o responsável por 39 por cento dos golos apontados pela equipa até ao momento. Este facto ganha mais importância tendo em conta que o argentino, de 33 anos, lidera a lista dos melhores marcadores como suplente e foi nesta condição que apontou todos os golos esta temporada. Surpreendido por este dado estatístico que O JOGO lhe revelou, o avançado afirma que isso advém do "trabalho de equipa" e "há sempre um jogador que acaba por fazer o golo". "O importante é que haja um jogador que marque o golo", salientou o argentino, destacando o tento que valeu a vitória (3-4) nos últimos segundos do jogo em Braga, na última jornada, como um "golo importante", tal como o hat-trick que assinou contra o Benfica. Contudo, Lucas Martinez garante que na sua memória ficam mais presentes as jogadas em que falha o alvo. "Normalmente lembro-me mais dos golos que falhei, como foi frente ao Sporting, aqui em casa, já no final, e são esses lances que me ficam mais na cabeça".

A cumprir a sua segunda época na Oliveirense, e também no campeonato português, Lucas Martinez soma dois hat-tricks, nas vitórias com o Marinhense (6-1) e com o Benfica (5-4) com os seus três golos a serem determinantes para este triunfo pela margem mínima. Em Paço de Arcos apontou os dois golos que permitiram à Oliveirense averbar o empate final depois de estar a perder por 2-0. Em Viana, um novo bis desfez a igualdade e garantiu a vitória (2-4) do emblema de Oliveira de Azeméis e, na última jornada, em Braga, o seu golo ao cair do pano permitiu à Oliveirense arrancar a ferros uma vitória (2-3) que garante o segundo lugar. O avançado unionista está numa sequência de quatro jogos consecutivos a marcar.

Lucas Martinez está rendido ao clube e à cidade que o acolheu. Cumpre a última época de contrato e sabe que o futuro é uma incógnita, mas tem uma certeza: "Gostava de continuar cá. Estou muito contente aqui, a Direção sempre me tratou muito bem e se estou bem não há por que mudar".

"Comecei com uns patins caseiros feitos pelo meu avô"

Nasceu em Mendoza, Argentina, numa família que não conhecia o hóquei, mas isso não foi impeditivo para o crescimento de três irmãos hoquistas. "O meu avô fez-me uns patins caseiros. Numas sapatilhas fez uma base com um pedaço de madeira e colocou rodas", recordou Lucas Martinez. "Eu tinha três anos. Foi assim que comecei a patinar e gostei", contou o argentino, que contagiou também o seu irmão e a irmã com o "bichinho" do hóquei. "A minha irmã era a melhor de nós os três", elogiou o jogador da Oliveirense, contando que devido a lesões abandonou o hóquei. O irmão, Julián Martinez, veste a camisola dos franceses do Quévert e quando os jogos coincidem a mãe acompanha os dois ao mesmo tempo. "A minha mãe deixa tudo para assistir aos nossos jogos. Não perde um", revelou Lucas.

Como argentino que é, idolatra o futebolista Messi, mas no hóquei confessa que cresceu a admirar Panchito Velázquez, Gaby Cairo e os irmãos José Luis e David Paez. "São jogadores que marcaram uma época. Cresci a olhar para eles, eram os ídolos. É como Reinaldo Ventura e Tó Neves cá em Portugal", explicou o camisola 27 da Oliveirense.

"Quero ser um exemplo"

Lucas Martinez é dos jogadores da Oliveirense que mais admiração reúne junto dos jovens da formação e essa afeição é recíproca. "Gosto de conhecê-los e dar-lhes conselhos se me pedem", disse Lucas Martinez, que há dias ofereceu vários sticks para a formação da Oliveirense. "Quando era miúdo, olhava para os jogadores da 1ª Divisão e era o melhor do mundo. Se algum miúdo sente isso de mim, eu vejo isso como uma responsabilidade e quero ser exemplo para eles". Residente em Oliveira de Azeméis, o argentino é frequentemente abordado pelos jovens e pelos adeptos na rua. "Eles falam comigo, perguntam como estou e essas são as coisas boas do desporto. São coisas que ficam mais do que os títulos, que são importantes obviamente".

"Portugal é o melhor"

Lucas Martinez começou a jogar no Petroleros, na Argentina, até vir para a Europa. Depois do campeonato francês, passou pelo espanhol e também pelo italiano antes de ingressar no português há duas épocas. "Joguei nos três campeonatos mais importantes (Espanha, Itália e Portugal) e os três são muito diferentes", afirmou o argentino, garantindo que, "neste momento, o melhor é Portugal". "Aqui, o hóquei é muito importante, todos conhecem a modalidade. É o hóquei que mais me favorece", disse.