Filipe Santos decidiu há 26 anos: "Livramento foi inteligente, ninguém me conhecia"

Filipe Santos decidiu há 26 anos: "Livramento foi inteligente, ninguém me conhecia"

Filipe Santos marcou o penálti que há 26 anos valeu o último título mundial fora de casa. A 24 horas da final de Barcelona, recordou o Mundial de 1993

Filipe Santos foi um dos melhores médios portugueses. Fez carreira no FC Porto, onde ganhou tudo... tudo menos a Liga dos Campeões. Na seleção, foi campeão europeu e mundial. Em 1993, estreava-se com o emblema nas quinas e fez a diferença: marcou o penáti que deu o título mundial em Itália. Desde aí que Portugal não ganha fora de casa. Este domingo, tem a oportunidade de mudar a história na final em que defronta a Argentina (17h00, no Palau Blaugrana, casa do Barcelona). A O JOGO, o antigo internacional lembrou 1993

Mundial de 1993

"Foi o meu primeiro ano. Era o benjamim. Tinha 19 anos e todos tinham uma experiência internacional grande. Um deles é agora relatador dos jogos de Portugal neste Mundial, o Chambel. Foi em Itália, em que na primeira fase jogámos em Lodi, e perdemos com Itália 6-0. Depois na fase a eliminar, que era em Milão, ganhámos à Espanha na semifinal e, na final, ganhámos à Itália nos penáltis. Estivemos a ganhar 3-1 e, quase no fim, a Itália empatou. No prolongamento, ficámos a marinar para os penáltis. Lembro-me perfeitamente que não joguei. Na altura, não havia tanta rotação. Mas o Livramento, treinador na altura, confiou em mim para os penáltis. De certa forma, foi inteligente, porque colocou alguém que ninguém conhecia e nessa altura era mais difícil marcar penáltis, porque era ao apito e o guarda-redes podia sair. Fui marcar o primeiro e depois ninguém mais marcou. Teve um impacto grande em Portugal, porque todos viam hóquei e não se ganhava fora de casa há mais de 30 anos."

Mundial de 2019

"Passaram 26 anos. Está na altura de mudar isso. Tenho um feeling que estão próximos do título. Nenhuma equipa tem ascendente. A Argentina, parece-me mais experiente e mais virada para o ataque, mas não tem jogadores tão fortes como os nossos. No Europeu de 2016 ganhámos e o meu golo no Europeu de 1991 ficou para trás e bem. Agora quero que aconteça o mesmo: que Portugal ganhe para esquecer este meu golo em 1993 e passar a ser Barcelona'19 a ficar como último registo ganhador."

Saudades

"Tenho saudades dos momentos das vitórias, mas são coisas que passam. Ver na televisão não é a mesma coisa, não é a mesma sensação como estar no pavilhão."

Amigos na equipa

"Tenho uma identidade especial com esta seleção por ter amigos à frente da equipa e a jogar nela. Tenho falado com o Renato [Garrido] e com o Filipão [Nelson Filipe]... eles passam a palavra ao Edo; não posso falar ao mesmo tempo com todos [risos]. Eles estão otimistas e motivados e eu também. Foi importante a vitória na semifinal. Não se ganhava em Espanha nestas fases há muitos anos e a vitória frente a Itália também foi muito boa, porque com um bocado de azar podíamos ter caído."

World Roller Games

"Eu continuo a defender Mundiais de quatro em quatro anos, para que todos os países possam ter mais recursos. Mas nos WRG aparecem muitos países e se continuar assim, ainda bem. Na China, em relação à assistência, era normal haver pouco público porque se trata de uma modalidade que lá não existe. Em Barcelona, custa-me a aceitar. Pode ser difícil encher um pavilhão com oito mil pessoas, mas há formas de trabalhar a imagem. Os jogos são emotivos, o hóquei está mais rápido, espetacular e continua a ser mal vendido, Depois, não faz sentido fazer jogos em pistas com inúmeras linhas como aconteceu em Vilanova. Não é o investimento de limpar as linhas que vai afetar os recursos. Custa-me ver pouco profissionalismo, quando muitos clubes investem muito e e se paga a peso de ouro. Defendo também que o hóquei se concentre onde realmente as pessoas gostam. Não vale a pena, está visto, ir para outros sítios, porque hoje em dia há tantas modalidades, que não se vai conseguir nada do zero. Em Portugal, tenho a certeza os jogos do Mundial estariam cheios."

Final sem Jorge Silva

"É mau. É penalizador. O Jorge tem estado muito bem e a este nível todos são importantes. Há 20 anos, jogavam seis e às vezes nem isso. Hoje, a rotação é grande e ele faz falta."