A cruz na mão e as cuecas brancas na final de Portugal: "Deram-me sorte..."

A cruz na mão e as cuecas brancas na final de Portugal: "Deram-me sorte..."
Paula Capela Martins, enviada especial a Barcelona

Tópicos

Edo Bosch, adjunto do selecionador de hóquei Renato Garrido, tem confiança que Portugal possa este domingo conquistar o título mundial. Não o conquista desde 2003 e fora de casa desde 1993.

Edo Bosch, adjunto do selecionador Renato Garrido, está no seu primeiro Mundial como técnico. Natural de Barcelona, esteve pouco tempo ao serviço da seleção espanhola porque abdicou muito cedo. Foi um dos símbolos do deca do FC Porto e uma grande figura do hóquei mundial que agora aparece noutras tarefas. Como guarda-redes que foi, leva à seleção uma visão diferente do jogo, preocupando-se sempre com a o setor defensivo. Antes da final que se joga este domingo (17h00) frente à Argentina, no Palau Blaugrana, casa do Barcelona, falou do sonho do título, da ausência de Jorge Silva (acumulação de cartões azuis) e até das superstições.

Vitórias sobre principais candidatos
"Ganhar dá-nos confiança, mas temos a consciência que nos espera um jogo muito difícil. Na fase de grupos, tivemos um jogo muito equilibrado e a final vai ser igual. Trabalhámos muito para este sonho e agora só falta um último passo. Perdemos um elemento importante, mas, não estando de patins calçados, estará connosco."

Estratégia para a final após vitória sobre Argentina (nos livres diretos) na fase de grupos
"Espanha tem a defesa de Alejandro [ndr: selecionador de Espanha e também treinador do Benfica] que obriga os adversários a jogar de forma diferente. Estudámos isso e conseguimos defender muito bem e, depois no ataque, tivemos de fazer as coisas corretas para não cair na armadilha deles. Nunca nos apanharam na arma deles que é contra-ataque. É a estratégia do Alejandro que lhe deu muitos êxitos, mas estávamos preparados. Agora, com a Argentina: defende de forma diferente e vai-nos levar a jogar de forma diferente."

Elogios de Negro Páez à defesa portuguesa
"Havia uma frase que ouvíamos sempre e que nos revoltava que era aquela usada muito pelos nossos adversários que diziam que contra Portugal era uma questão de tempo até Portugal entregar o ouro ao bandido e que ia cometer erros que proporcionavam ocasiões de golo. Agora entrámos decididos a que não ia ser assim. Portugal ia atacar e defender. Preparámo-nos bem."

Valor da argentina com Negro Páez a selecionador
"A Argentina também me surpreendeu, e também os seus sub-19. Também eu achava que quando há grandes criadores o ataque é forte mas a defesa não tanto. Também aqui os vi a defender muito bem.
Vai ser uma final onde os detalhes vão ditar o resultado."

Arbitragem: faltas de equipa, cartões e simulações
"Só peço uma final que seja decidida pelos jogadores. Não é fácil arbitrar e decidir em décimos de segundo. Temos o caso do Jorge, em que seguramente depois de verem o jogo em vídeo diriam: errámos. É normal, Todos erramos. Mas esperemos que seja decidido apenas pelos jogadores. Artimanhas? Esperemos que os árbitros estejam atentos, para bem do hóquei."

Ganhar em Barcelona
"Nunca como jogador tive a sorte de poder levantar um caneco de campeão do Mundo. Portugal deu-me esta segunda oportunidade e eu agradeço. Seja onde seja é com certeza fantástico. Especial é conviver com este grupo, vê-lo a sonhar e poder ajudar a que isso se concretize. Vejo um grupo muito coeso, com todas as condições. Ganhar numa das catedrais do hóquei é fantástico, mas se fosse numa esquina qualquer era igualmente especial. Ser campeão do Mundo é ser campeão do Mundo. Quero retribuir tudo o que me deu Portugal."

Final após dois prolongamentos
"Se a final fosse logo no dia seguinte à semifinal podia dizer que os dois prolongamentos podiam ser um fator importante. Hoje, levantei-me cansado e não joguei, imaginem os jogadores. Mas este dia dá para descansar e estar em forma. Se vai haver prolongamento? Vi jogadores para os quais pode haver quatro prolongamentos seguidos que metem a cabeça até ao último segundo. Que se prepare a Argentina que vamos dar tudo o que temos e não temos para levar o caneco para Portugal."

Superstições
"No jogo com Espanha, quando cumprimentava os jogadores tinha a minha cruz na mão, cumprimentava-os de mão fechada e estive sempre com ela na mão, mas tenho muitas coisas. Quando jogava ia sempre para os jogos com cuecas brancas e nesse também vai ser assim [risos]. Deram-me sorte como jogador e espero que nesta final também seja assim."

Manter a calma no banco
"Quando vejo algumas coisas, custa controlar o stress, mas como treinador tento mudar o chip para ser mais calmo porque os jogadores precisam disso. Não é fácil, mas eu e o Renato [selecionador nacional] tentamos acalmar-nos um ao outro."

Vencer pelo filho [Alejandro Edo] que nos sub-19 ficou com a medalha de bronze
"Ele quer ganhar os títulos dele. Vejo pelo Instagram que sofre pelo pai e por Portugal, mas a carreira dele é a dele e a minha é a minha. Sofremos pelas vitórias de cada um, mas é só isso."