O fair-play de Côco que lhe valeu uma reprimenda

O fair-play de Côco que lhe valeu uma reprimenda
Ana Catelas

Tópicos

Côco tinha a baliza escancarada para fazer golo, mas rematou para fora porque um adversário estava caído na quadra

O cronómetro já contava os últimos segundos da primeira parte quando Nuno Côco tinha tudo para fazer o empate para o Futsal Clube de Azeméis em casa do Belenenses, na última jornada, mas, na cara do guarda-redes, optou por chutar propositadamente a bola para fora das quatro linhas, porque um adversário estava caído no chão e precisava de receber assistência.

A atitude deixou todos estupefactos no pavilhão: os adeptos da casa aplaudiram o lance de fair-play, mas do lado da própria equipa choveram críticas e o jogador chegou a acreditar que já não ia jogar mais naquele dia.

Alguns dias depois do acontecimento, que levou o jogador e o emblema oliveirense a serem muito falados na comunicação social, Nuno Côco recordou a jogada que, reconhece, podia ter sido motivo para o seu "despedimento" caso o Futsal Clube de Azeméis não tivesse vencido o encontro (2-5).

"Não gosto de ganhar a qualquer custo". Esta foi a primeira declaração do jogador quando a nossa reportagem lhe pediu para recordar o lance que protagonizou no Restelo, no passado sábado. O jogador do Belenenses ficou no chão quando a sua própria equipa partiu para um rápido contra-ataque sem que nenhum companheiro colocasse a bola fora. "Se calhar deviam ter colocado a bola fora, mas se calhar não viram que ele ficou no chão", defendeu o ala oliveirense.

Entretanto, o guarda-redes Gerson Pinho recuperou a bola, chutou-a para a frente, onde estavam dois jogadores do Azeméis isolados, com Vigário a assistir Côco que, dentro da área, desperdiçou a oportunidade flagrante para empatar o jogo a duas bolas a escassos segundos do intervalo.

"Antes do contra-ataque do Belenenses já tinha visto que ele tinha fica no chão e não quis tirar proveito desta situação. Não achava correto tentar fazer o golo quando eles tinham um jogador no chão já há alguns segundos", justificou Nuno Côco, recordando os momentos que se seguiram ao lance. Do Azeméis ficaram todos contra mim, com exceção de dois ou três, e do lado do Belenenses bateram palmas", referiu o ala português, reconhecendo que, se a equipa tivesse perdido, "se calhar diziam que o culpado era eu".

Apesar da reprimenda, não só no dia do jogo, mas também no regresso do Azeméis aos treinos, Côco garante que faria tudo de novo. Com 38 anos, o jogador, com larga experiência não só em Portugal mas também no estrangeiro, defende que é, desta forma, que todos deviam estar no desporto.

"A nossa luta é dia a dia, durante a semana, para depois ganharmos ao sábado com luta dentro de campo. Eu não gosto de ganhar a todo o custo", afirmou o jogador português. A experiência de duas décadas ligado ao desporto permitem a Côco esta maneira, mais lúcida, de pensar. "Há 20 anos eu não era assim, mas fui melhorando e vários aspetos fizeram-me ver que o futsal é um jogo e não uma questão de vida ou de morte", concluiu o camisola 10, que cumpre a sua segunda época no emblema de Oliveira de Azeméis.