Premium Nem a audição e nem um "mundo de homens", nada faz parar a treinadora Sara

Nem a audição e nem um "mundo de homens", nada faz parar a treinadora Sara
João Maia

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Treinadora assumiu, no início desta semana, o comando da equipa sénior masculina dos minhotos

Sete derrotas em igual número de jogos pintam a negro o início de temporada do Gualtar, da Série A da II Divisão de Futsal. A Direção fez estalar o chicote e apostou em Sara Almeida para liderar um balneário de homens. A situação não é nova na carreira de mais de uma década da treinadora, mas Sara Almeida é caso único, no futsal nacional, de uma mulher a treinar uma equipa sénior masculina. O desafio, apesar de ser pouco comum em Portugal, é encarado com naturalidade pela técnica. "Não é fácil estar no meio dos homens, mas temos sempre uma palavra a dizer. Vi um grupo jovem, unido, com vontade de melhorar, e que não olhou para mim de forma diferente", contou Sara Almeida a O JOGO que garante nunca ter sido alvo de discriminação.

Sara Almeida tem um problema auditivo mas isso não belisca, nem um bocadinho, o trabalho como treinadora. "A falta de audição só me faz falar depressa e eu digo aos jogadores para que digam, quando isso acontecer, para eu falar mais devagar", explica. A professora de Educação Física é natural de Viana do Castelo, mas nem a distância atrapalha o gosto pela modalidade. "Gosto de andar na estrada e tudo se torna mais fácil". Sara Almeida tem o nível III de treinadora (o equivalente a treinar na I Divisão), foi colega de curso de Paulo Tavares (Braga) e Nuno Dias (Sporting) e deixou conselhos a outras treinadoras que queiram entrar num mundo ainda muito masculino. "Têm de ser persistentes senão vão fracassar".