Gémeos, árbitros e 52 jogos juntos na I Divisão: a história de Cristiano e Rúben

Gémeos, árbitros e 52 jogos juntos na I Divisão: a história de Cristiano e Rúben
Melo Rosa

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Árbitro internacional desde janeiro, Cristiano Santos ficou "orgulhoso" pelo irmão gémeo, Rúben, que vai agora ter as insígnias. Apitar juntos numa prova da FIFA ou da UEFA "seria um sonho".

Cristiano e Rúben Santos, irmãos gémeos, são o espelho da felicidade. Os árbitros da AF Porto de futsal subiram à 1.ª categoria em 2016 e Cristiano, que trabalha numa empresa de Comunicação e Marketing, foi promovido a internacional em janeiro deste ano, e Rúben, licenciado em Gestão do Desporto, que trabalha em ginásios, vai receber as insígnias dentro de dias. Com o aumento de quatro para cinco internacionais, Rúben junta-se a Cristiano, Eduardo Coelho, Miguel Castilho e Filipe Duarte.

Cristiano e Rúben nasceram a 1 de novembro de 1989 no Porto e entraram na arbitragem em 2007 por influência do irmão mais velho - mudou, há uns anos, do futebol de 11 para o futsal, onde apita no distrital - e no futsal por influência de Ricardinho quando estudavam na Escola Secundária de Gondomar.

"O nosso irmão, Valter, já era árbitro e quando fomos tirar o curso de futebol de 11 as vagas estavam preenchidas. Na altura, Jorge Sequeira, dirigente da AF Porto, indicou-nos o curso de futsal e até foi benéfico para nós porque se calhar não estaríamos no patamar onde estamos agora. E, por outro lado, o futsal tem a vantagem de ter dois árbitros e isso agarrou-nos mais à modalidade", recorda Cristiano que, este ano, já dirigiu dez jogos internacionais, tendo participado, por exemplo, no Europeu de sub-19, em Riga, capital da Letónia, e num jogo de apuramento para o Mundial.

Ser internacional é, sublinha, "um orgulho, um momento de satisfação pessoal e um sentimento de dever cumprido", mas Cristiano ficou "mais feliz" por saber que o irmão "também pode usufruir da felicidade" de arbitrar em provas internacionais.

"A felicidade dos nossos familiares é algo que procuramos sempre e, sendo meu irmão gémeo, fico orgulhoso por ele", deixa escapar Cristiano que ouve Rúben dizer que "não estava à espera" da promoção. "Alargaram o número de internacionais, fui privilegiado por ocupar essa vaga, e quando soube da notícia no dia 15 de dezembro foi uma prenda antecipada de Natal. Liguei ao Cristiano e fomos jantar fora com o meu irmão mais velho e com a nossa mãe, Emília Santos", conta, admitindo que receber as insígnias não é a concretização de um objetivo. "É mais um sonho para o qual trabalhamos, mas muito difícil acontecer. As estrelas têm de se alinhar todas e sermos os dois internacionais é o momento mais alto da nossa carreira e um dia apitarmos um jogo, numa grande competição europeia, seria para lá de um sonho. A probabilidade de acontecer é tão pequena que seria fantástico", completa Rúben, sorridente.

Nuno Dias também se enganou

Entre muitos episódios, Rúben recorda uma das muitas situações engraçadas por serem "iguaizinhos". "Há dois anos, houve um treinador que, pouco depois de saírem as classificações, deu-me os parabéns por ter ficado em primeiro, e eu respondi "míster fiquei em segundo, o meu irmão é que ganhou. E ele, o Nuno Dias, do Sporting, cordialmente, deu-me os parabéns na mesma", conta Rúben.

Outra situação curiosa que acontece frequentemente, acrescenta Cristiano, é quando algum dos dois não está num jogo. "Os dirigentes, os jogadores e os treinadores perguntam "senhor árbitro chateou-se com o seu irmão?"", recupera Cristiano, entre risos. "Quando estávamos a começar as pessoas achavam engraçado, porque não é comum encontrar dois árbitros e ainda por cima gémeos. Os dirigentes, os jogadores, os treinadores achavam piada e questionavam "estarei a ver a dobrar?", continua Cristiano, escutando a mensagem final de Rúben. "Temos a vantagem de, por sermos irmãos, a nossa maneira de atuar ser muito parecida, o que traz alguma segurança às equipas porque decidimos em conformidade. As equipas reagem muito bem às nossas atuações."