Vuelta: Roglic consola mágoas em busca de tetra recorde ante rivais de peso

Vuelta: Roglic consola mágoas em busca de tetra recorde ante rivais de peso
Redação com Lusa

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Desde logo, o homem de 32 anos pode igualar os quatro triunfos de Roberto Heras, espanhol que venceu em 2000, 2003, 2004 e 2005, e ser o primeiro a fazê-lo de forma sucessiva, depois de 2019, 2020 e 2021

O ciclista esloveno Primoz Roglic (Jumbo-Visma) regressa na sexta-feira à Volta a Espanha em busca do quarto triunfo seguido, ante concorrência de peso, do belga Remco Evenepoel (QuickStep-Alpha Vinyl) a João Almeida (UAE Emirates).

Por esta altura já "habituado" a ter na Vuelta uma narrativa de redenção após falhar no Tour, seja ao ser segundo, como em 2020, ou ser forçado a abandonar, como em 2021 e já este ano, o antigo esquiador esloveno - que brincou com ter ido à Volta a França para "preparar" a prova espanhola - pode ainda assim colocar-se na história da modalidade por vários motivos.

Desde logo, o homem de 32 anos pode igualar os quatro triunfos de Roberto Heras, espanhol que venceu em 2000, 2003, 2004 e 2005, e ser o primeiro a fazê-lo de forma sucessiva, depois de 2019, 2020 e 2021.

Também poderá superar Alex Zülle como mais frequente detentor da camisola vermelha, "la roja", de líder: tem 36 dias na frente da geral, contra 48 do suíço.

Uma fratura numa vértebra afastou-o logo à quinta etapa da luta pelo Tour, que viria a ser ganho pelo dinamarquês Jonas Vingegaard, da sua equipa, numa época em que o campeão olímpico de contrarrelógio logrou vencer o Paris-Nice e o Critério do Dauphiné.

Com nove vitórias em etapa nas três edições em que acabou por subir ao pódio, a apetência por Espanha está mais do que confirmada, mas este ano é um lote recheado o de candidatos a quebrar a sua hegemonia na corrida.

Depois de Itália e França, Espanha costuma receber a mais imprevisível das três "grandes Voltas", entre um misto de corredores com experiência à procura de novas glórias, nomes grandes em busca de salvar a época e jovens aspirantes, como o esloveno Tadej Pogacar, que aqui venceu três etapas em 2019 e, depois, triunfou no Tour em 2020 e 2021, sendo segundo este ano.

Um dos principais candidatos é o equatoriano Richard Carapaz (INEOS), campeão da Volta a Itália e "vice" em 2019, numa equipa britânica, que abandonará no final do ano, que conta com o francês Pavel Sivakov em forma e outros nomes que podem "atacar" o "top 10" ou etapas, além do "trunfo" Tao Geoghegan Hart, vencedor surpresa do Giro em 2020.

O campeão da primeira "grande Volta" do ano, o australiano Jai Hindley, lidera a BORA-hansgrohe à procura de vencer duas em 2022, com os espanhóis Enric Mas (Movistar) e Mikel Landa (Bahrain-Victorious) como "porta estandartes" de Espanha nestas ambições.

Entre os jovens à procura de (mais) afirmação, e na luta pela camisola da juventude, o belga Remco Evenepoel (QuickStep-Alpha Vinyl) terá nova oportunidade para confirmar o talento, num ano em que já leva 11 triunfos, assim como João Almeida, afastado na reta final do Giro deste ano por um teste positivo à covid-19.

O lote de candidatos inclui ainda o britânico Simon Yates (BikeExchange-Jayco) e o australiano Ben O"Connor (AG2R-Citroën), bem como o "inevitável" italiano Vincenzo Nibali (Astana), que acaba a carreira após ter vencido as três principais corridas por etapas do calendário.

Ainda assim, o ponto final de um veterano mais esperado na Vuelta é o do espanhol Alejandro Valverde, à frente de uma Movistar com Nelson Oliveira, com retirada anunciada aos 42 anos.

Vencedor da prova no "longínquo" ano de 2009, um palmarés com 133 vitórias, de etapas em "grandes Voltas" a clássicas e Monumentos, será celebrado ao longo do percurso, encerrando "em casa" 20 anos ao mais alto nível para o ciclista de Múrcia.

Uma "grande salida" nos Países Baixos, com o único contrarrelógio por equipas das três "grandes" este ano, arranca uma 77.ª edição que, como em tantos anos anteriores, é feita para trepadores: oito chegadas em alto, com um "crono" individual à 10.ª etapa, vão testar o pelotão ao longo de 3.280,5 quilómetros.

Não serão muitas as oportunidades para "sprinters" como Tim Merlier (Alpecin-Deceuninck), Pascal Ackermann (UAE Emirates) ou Kaden Groves (BikeExchange-Jayco), ao contrário dos especialistas em fugas, num percurso "pejado" de chances para homens rápidos que passem bem por dificuldades, como o campeão do mundo Julian Alaphilippe (QuickStep-Alpha Vinyl) ou o dinamarquês Mads Pedersen (Trek-Segafredo).

Do País Basco à Cantábria, navegando o calor pelas Astúrias e a longa ascensão à Sierra Nevada, o pelotão chega à terceira e última semana sem "medo" do Angliru ou Lagos de Covadonga, este ano ausentes, mas com o Alto de Piornal, Talavera de la Reina e a subida a Navacerrada como subidas decisivas antes da "procissão" em Madrid, em 11 de setembro.

A 77.ª edição da Volta a Espanha arranca sexta-feira nos Países Baixos e termina em 11 de setembro em Madrid.