Volta a Portugal: Rodrigues abdicou do cetro e Brandão festejou entre o nevoeiro

Volta a Portugal: Rodrigues abdicou do cetro e Brandão festejou entre o nevoeiro
Redação com Lusa

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Ciclista da W52-FC Porto "protegeu" Amaro Antunes, que manteve a camisola amarela.

João Rodrigues abdicou esta quinta-feira do título em nome da W52-FC Porto, protegendo Amaro Antunes das agruras da Torre e dos ataques da Efapel, que festejou o primeiro triunfo de Joni Brandão na Volta a Portugal em bicicleta.

Após anos de tentativas fracassadas, o ponto mais alto de Portugal continental coroou, finalmente, Joni Brandão, com o três vezes vice-campeão da prova a concluir com sucesso uma jornada de incessantes, mas atarantados ataques da Efapel, que compensou a ineficácia estratégica com uma arrancada do seu líder nos metros finais da subida à Torre, imersa num intenso nevoeiro.

Brandão pode ter sido o D. Sebastião da sua equipa, ao ganhar a quarta etapa e três segundos aos três primeiros da geral individual, mas o herói do dia foi João Rodrigues.

O jovem algarvio demonstrou toda a sua qualidade (e humildade), ao comandar o grupo de favoritos nos mais de 20 quilómetros da escalada, respondendo às investidas da Efapel, protegendo o camisola amarela do vento e "abdicando" do seu cetro, sem hesitar.

"Para mim, foi uma atitude de um campeão. O vencedor da última edição da Volta a Portugal chegar aqui e deixar a pele por mim, foi algo... confesso que me arrepia. Só pensava que não poderia desiludir, de qualquer forma", enalteceu Amaro Antunes, que foi terceiro na meta e não perdeu tempo para os mais diretos perseguidores, Frederico Figueiredo (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), segundo na etapa, e o colega Gustavo Veloso, quarto.

As decisões da geral estavam reservadas para os 20,2 quilómetros de ascensão à Torre, mas antes havia outras classificações para definir, com o líder da montanha, Hugo Nunes (Rádio Popular-Boavista), e o da regularidade, Luís Gomes (Kelly-Simoldes-UDO), a integrarem a fuga do dia ao quilómetro 18,5 dos 148 desde a Guarda, com o intuito de defender as suas camisolas e somar pontos que lhes permitam chegar com elas a Lisboa.

José Neves e Ángel Madrazo (Burgos-BH), Sergio Martín (Caja Rural), Matis Louvel e Christophe Noppe (Arkéa-Samsic), César Martingil (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), João Matias (Aviludo-Louletano), Rafael Reis e Gonçalo Amado (Feirense), Bruno Silva (LA Alumínios-LA Sport), Gaspar Gonçalves e Pedro Pinto (Miranda-Mortágua) acompanharam Nunes e Gomes na sua escapada, tendo os 14 conseguido uma diferença máxima que alcançou os três minutos.

Na subida para as Penhas Douradas, a Efapel foi lançando sucessivamente Tiago Machado e Sérgio Paulinho, em esforços efémeros facilmente anulados pela W52-FC Porto - só o espanhol Cristian Rodríguez (Caja Rural) se destacou -, mas a verdadeira seleção no grupo dos candidatos (e na fuga) só foi feita no início da subida de categoria especial, com o espanhol Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano), que até hoje tinha estado muito discreto, a ser o primeiro eliminado, ao ceder quase cinco minutos para o vencedor.

Brandão tentou atacar de longe, a 15 quilómetros na meta, para cavar diferenças importantes, mas o inesgotável João Rodrigues anulou todas as iniciativas do duo da Efapel - António Carvalho foi o que mais vezes saltou para a frente do grupo -, comprovando que o segredo do sucesso dos dragões é mesmo o objetivo comum de ganhar a Volta a Portugal, independentemente de quem vista a camisola no último dia.

Com o vento a soprar forte nos cinco quilómetros finais, os candidatos preferiram não aventurar-se em loucuras, seguindo agrupados até aos dois quilómetros finais, onde encontraram Rodríguez, antes de abrirem as hostilidades, envoltos em nevoeiro, num final emocionante e num cenário invernal, em que nem o risco de meta, cortado por Brandão depois de 04:19.02 horas na estrada, se via.

Não houve pódio, mas nem assim o ciclista da Efapel, agora quarto a 01.17 minutos, deixou de celebrar efusivamente, erguendo a bicicleta acima da cabeça, abraçando os seus companheiros e confessando-se "naturalmente muito feliz".

"É a primeira vitória em etapa, o sonho de vencer a Volta a Portugal ainda continua de pé", garantiu, embora alertando para o favoritismo de Gustavo Veloso, caso os primeiros da geral cheguem ao contrarrelógio da última etapa com as diferenças atuais: Antunes tem 13 segundos de vantagem sobre Figueiredo, e 01.13 sobre o veterano galego, o maior especialista em "crono" dos quatro primeiros da geral.

Na sexta-feira, o pelotão aproxima-se do litoral, numa quinta etapa que vai ligar Oliveira do Hospital a Águeda, num total de 176,3 quilómetros.